Israel é responsável por 70% das fatalidades

Gabriela Thier Publicado em 12/02/2025, às 14h33
Um relatório recente do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), divulgado nesta quarta-feira (12), revela que o ano de 2024 se tornou o mais letal para jornalistas e profissionais da mídia em mais de trinta anos, com um total alarmante de 124 mortes registradas em 18 países. O documento aponta Israel como responsável por aproximadamente 70% dessas fatalidades.
A pesquisa do CPJ destaca que a guerra entre Israel e Gaza resultou na morte de 85 jornalistas, que foram vitimados pelas ações das Forças Armadas israelenses. A organização não governamental acusou Israel de obstruir investigações sobre os incidentes que levaram às mortes, sugerindo uma tentativa de desviar a responsabilidade e falhar em garantir justiça para as vítimas.
Em resposta às alegações do CPJ, as Forças Armadas de Israel afirmaram que não receberam informações suficientes para investigar os supostos eventos e que, por isso, não conseguiram confirmá-los. A IDF (Forças de Defesa de Israel) declarou ainda que nunca teve como alvo deliberado jornalistas, assegurando que realiza todos os esforços operacionais possíveis para proteger tanto a imprensa quanto os civis durante os conflitos.
O número de mortes entre jornalistas em 2024 representa um aumento significativo em comparação com anos anteriores; em 2023, foram registradas 102 mortes, enquanto 69 jornalistas perderam suas vidas em 2022. O recorde anterior foi estabelecido em 2007, quando 113 jornalistas foram mortos, sendo quase metade deles devido à guerra do Iraque.
Além de Israel, o Sudão e o Paquistão apresentaram altas taxas de mortalidade entre jornalistas no último ano. Jodie Ginsberg, diretora executiva do CPJ, expressou sua preocupação ao afirmar: "Estamos vivendo o momento mais perigoso para jornalistas desde a fundação do CPJ".
Ginsberg ressaltou que o impacto da guerra em Gaza sobre os jornalistas é sem precedentes e reflete uma deterioração significativa nas normas globais de proteção aos repórteres em zonas de conflito. Ela também destacou que a situação não se limita apenas àquele local, evidenciando uma crise maior enfrentada pela profissão.
O CPJ documentou um "aumento alarmante" nos assassinatos seletivos de jornalistas, com pelo menos 24 casos identificados no último ano relacionados diretamente ao trabalho profissional da vítima, incluindo ocorrências no Haiti, México, Mianmar e Sudão. Entre esses casos, o comitê registrou ao menos dez assassinatos seletivos atribuídos a ações israelenses.
Além disso, o CPJ está investigando mais 20 assassinatos que podem ter sido direcionados especificamente a jornalistas por parte das forças israelenses.
A escalada da violência também se deve ao ataque do Hamas em outubro de 2023, que resultou na morte de cerca de 1.200 pessoas em solo israelense e no sequestro de 251 indivíduos. As represálias israelenses foram devastadoras, com as autoridades palestinas relatando mais de 48 mil mortes, a maioria delas civis.
Desde o início de 2025, pelo menos seis jornalistas já foram mortos segundo as informações do CPJ.
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