O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, deixou o país neste domingo (15), horas depois de o grupo extremista Talibã cercar Cabul, a capital do país.

Redação Publicado em 15/08/2021, às 00h00 - Atualizado às 13h55
O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, deixou o país neste domingo (15), horas depois de o grupo extremista Talibã cercar Cabul, a capital do país.
O Talibã diz que tomou controle do palácio presidencial em Cabul após fuga de presidente Ghani. O grupo extremista defendia uma rendição pacífica do governo.
A tomada de Cabul pelos talibãs ocorre 20 anos depois de o grupo extremista ser expulso da capital afegã pelos Estados Unidos, que invadiram o país dias após os ataques de 11 de setembro de 2001, e em meio à retirada dos militares norte-americanos do país (leia mais adiante na reportagem).
O ex-vice-presidente afegão Abdullah Abdullah disse em um vídeo publicado em suas redes sociais que Ghani “abandonou a nação”.
O político comanda atualmente o Conselho Superior para a Reconciliação Nacional, responsável pelo processo de paz na região.
Um alto oficial do Ministério do Interior afegão disse à agência de notícias Reuters que Ghani embarcou para o Tajiquistão, que faz fronteira com o sul do Afeganistão.
Ainda segundo a agência, o gabinete da Presidência afegã não confirma a movimentação do mandatário “por questões de segurança”.

A situação dentro de Cabul, sitiada pelo Talibã
O grupo entrou na capital afegã após horas de cerco. O gabinete da presidência do Afeganistão afirmou que disparos foram ouvidos em algumas partes de Cabul.
Suhail Shaheen, porta-voz do Talibã, fez um “chamado ao presidente Ashraf Ghani” e a outros líderes para que atuem também em uma “transição pacífica de poder” para o grupo extremista islâmico.
“Nossa liderança instruiu nossas forças a permanecerem nos portões de Cabul, não a entrar na cidade”, disse o porta-voz em uma entrevista à BBC. “Estamos aguardando uma transferência pacífica de poder.”
No entanto, após a fuga do presidente afegão, um porta-voz do Talibã disse à Reuters que o grupo se preparava para entrar na cidade. Segundo eles, a capital “abandonada” correria risco de sofrer violências e saques.
Mais cedo, o ministro do Interior, Abdul Sattar Mirzakwal, havia anunciado uma “uma transferência pacífica de poder para um governo de transição”, mas não deixou claro quem o iria compor.

Antes, neste domingo, o Talibã havia tomado a cidade de Jalalabad, no leste do país, o que fez a capital Cabul ser a única das grandes cidades afegãs sob controle do governo.
Também no domingo, os diplomatas dos Estados Unidos que trabalharam na Embaixada em Cabul começaram a deixar o Afeganistão. O Reino Unido emitiu alerta para que os seus cidadãos deixem o país.
O Itamaraty não tem registro de brasileiros vivendo no Afeganistão. Também não está prevista, por ora, medida de proteção específica para os funcionários da embaixada em Islamabad, uma vez que a cidade não está em zona de conflito.
A queda do governo afegão para o Talibã ocorre 20 anos depois de o grupo extremista ser expulso de Cabul pelos Estados Unidos, que invadiram o país dias após os ataques de 11 de setembro de 2001.
Em abril, o presidente Joe Biden havia anunciado a retirada de todas as tropas do país até 11 de setembro deste ano.
O Talibã avançou rapidamente depois de que a maior parte das forças lideradas pelos EUA deixaram o país em julho, e a queda de Cabul ocorre antes do previsto pelas autoridades norte-americanas.
Segundo a agência de notícias Reuters, a estimativa dos serviços de inteligência norte-americanos é de que o Talibã chegaria a Cabul em setembro, com uma possível tomada do poder em novembro.
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Fontes: G1 – Globo.
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