Com mudança no modelo de telefonia fixa, operadoras podem recolher os tradicionais orelhões em todo o país.

Erika Osti Publicado em 20/01/2026, às 16h46
A paisagem urbana brasileira está mudando: a partir de janeiro de 2026, com a conclusão da transição do serviço de telefonia fixa do regime de concessão para o de autorização, as operadoras de telecomunicações estão oficialmente autorizadas a remover os tradicionais telefones públicos, os conhecidos orelhões, das ruas de todo o país. A medida marca o fim de um modelo que durou décadas e transformou a comunicação fora de casa. São Paulo, que concentra o maior número de aparelhos do Brasil, ainda tem cerca de 28,8 mil orelhões instalados, também deverá sentir de forma mais intensa a retirada gradual desses equipamentos, hoje cada vez menos usados diante da popularização dos celulares e da internet. Atualmente, existem pouco mais de 38 mil orelhões em funcionamento em todo o território nacional.
Os orelhões surgiram no Brasil em 1971 e, por muitos anos, foram uma das principais maneiras de fazer ligações fora de casa. Com o avanço da telefonia móvel e da internet, porém, seu uso caiu drasticamente ao longo do tempo, e muitos aparelhos ficaram ociosos ou foram danificados. A migração do serviço de telefonia fixa para o regime de autorização retirou das operadoras a obrigação de manter e expandir os orelhões, algo que passará a ser exigido apenas em casos específicos, como em localidades onde não existam outras opções de comunicação por voz até o fim de 2028.
A autorização para a remoção dos telefones públicos vale para as principais operadoras do país, incluindo Vivo, Oi, Claro, Algar e Sercomtel. Elas já começaram a planejar a retirada dos aparelhos considerados não essenciais. A mudança reflete a evolução dos padrões de comunicação no Brasil e o deslocamento dos investimentos do setor para tecnologias mais modernas. Nos últimos anos, o número de orelhões caiu de forma acelerada, acompanhando a queda no uso desses aparelhos, especialmente em grandes centros urbanos como São Paulo.
Especialistas apontam que a retirada dos orelhões não representa a extinção completa do telefone público, mas uma adaptação à realidade atual. Em áreas rurais, regiões isoladas ou comunidades com sinal limitado, os aparelhos ainda poderão ser mantidos para garantir o acesso mínimo à comunicação. A transição, no entanto, simboliza o encerramento de um capítulo histórico da vida urbana brasileira e de uma era em que o orelhão era parte inseparável das ruas do país.
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