A última reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) foi marcada por acusações entre as representações dos Estados Unidos e da

Redação Publicado em 01/02/2022, às 00h00 - Atualizado às 10h21
A última reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) foi marcada por acusações entre as representações dos Estados Unidos e da Rússia a propósito das tropas russas concentradas na fronteira com a Ucrânia. Os países ocidentais intensificam esforços diplomáticos para evitar o início de um conflito militar.

A embaixadora norte-americana, Linda Thomas-Greenfield, disse que esta foi a maior mobilização militar que a Europa viu nas últimas décadas.
O embaixador russo, Vassily Nebenzia, acusou os Estados Unidos de “fomentar a histeria” e “enganar a comunidade internacional” com “acusações infundadas” e de interferir, de forma inaceitável, nos assuntos do Kremlin. A reunião foi realizada a pedido dos Estados Unidos, contra a vontade da Rússia. Dez dos 15 países-membros do Conselho de Segurança votaram a favor do encontro.
Nebenzia acrescentou que “não há provas de que Moscou esteja planejando ação militar contra a Ucrânia e que o aumento de tropas não foi confirmado pela ONU”. Segundo ele, a Rússia costuma enviar tropas para o seu próprio território e Washington não tem nada a ver com isso.
Vassily Nebenzia lembrou que antes da invasão do Iraque em 2003, Washington assegurou que tinha provas de armas de destruição maciça que nunca foram encontradas.
Linda Thomas-Greenfield disse que o envio de mais de 100 mil soldados russos ameaçava a “segurança internacional” o que justificava um debate público na ONU.
A embaixadora norte-americana alegou ainda ter “evidências” de que Moscou queria enviar mais de 30 mil soldados adicionais no início de fevereiro para a Bielorrússia, cujo regime é muito próximo do Kremlin.
Rosemary DiCarlo, secretária-geral adjunta da ONU para as Questões Políticas, reagiu de imediato, afirmando não “haver qualquer alternativa à diplomacia” nessa crise. “Não deve haver intervenção militar”, acrescentou.
Para esta terça-feira está agendado um telefonema entre os secretários de Estado dos EUA, Antony Blinken, e da Rússia, Serguei Lavrov.
Segundo a BBC, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que Washington continua totalmente comprometida com o diálogo e vai continuar a consultar aliados e parceiros, incluindo a Ucrânia.
Vários líderes europeus estão a caminho de Kiev para negociações, entre eles o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que promete trabalhar com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, para encontrar uma solução diplomática e “evitar mais derramamento de sangue”.
Também o primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki, o seu homólogo holandês, Mark Rutte, a ministra dos Negócios Estrangeiros alemã, Annalena Baerbock, o seu homólogo francês, Jean-Yves Le Drian, são esperados em Kiev.
A ministra da Defesa do Canadá, Anita Anand, cujo país está fornecendo assistência militar à Ucrânia, chegou Kiev no domingo (30) para visita de dois dias. Ela anunciou o envio de tropas canadenses para o oeste da Ucrânia e o repatriamento temporário de todos os funcionários não essenciais de sua embaixada em Kiev.
Vários países ocidentais anunciaram, nos últimos dias, o envio de novos contingentes para a Europa de Leste.
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REUTERS
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