Com a dívida pública elevada, o governo francês busca reduzir gastos e enfrentar desafios econômicos até 2026

Gabriela Thier Publicado em 14/10/2025, às 15h00
Em uma declaração feita na última terça-feira (14), o presidente da França, Emmanuel Macron, expressou a possibilidade de convocar eleições legislativas antecipadas caso o Parlamento decida derrubar seu governo. O aviso foi dado horas antes de um discurso significativo do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, que se dirigirá aos deputados em meio a um cenário político conturbado. Lecornu, um aliado próximo de Macron, enfrenta o desafio de persuadir a oposição socialista a não se aliar aos demais grupos de oposição, incluindo a esquerda radical e a extrema direita, que tentam censurar seu governo.
Durante a primeira reunião do novo governo, Macron alertou que as moções de censura apresentadas devem ser interpretadas como tentativas de dissolução do Parlamento. Segundo a porta-voz governamental, Maud Bregeon, o sucesso ou fracasso de Lecornu estará intimamente ligado à sua capacidade de abordar as preocupações da oposição socialista em relação às reformas propostas por Macron.
O líder socialista, Olivier Faure, reiterou a demanda por uma suspensão imediata e completa da reforma previdenciária de 2023, que foi implementada por decreto e enfrentou forte resistência popular. A esquerda radical e os partidos de extrema direita já protocolaram moções de censura que serão discutidas na próxima quinta-feira. Se Lecornu não conseguir convencê-los durante seu discurso, os socialistas podem avançar com outra moção que possua maior potencial para derrubar o governo.
A reforma que aumenta a idade da aposentadoria de 62 para 64 anos até 2030 e amplia para 43 anos o tempo mínimo de contribuição para uma pensão integral tem gerado intenso descontentamento com as políticas do presidente desde 2023. A suspensão dessa reforma poderia custar ao governo cerca de 3 bilhões de euros (aproximadamente 19 bilhões de reais) e geraria divisões dentro do partido governante. Tanto os sindicatos quanto a oposição clamam pela revogação dessa medida.
Recentemente laureado com o Prêmio Nobel de Economia, Philippe Aghion, sugeriu um acordo para suspender a reforma da previdência como uma forma de evitar o "perigo" representado pela ascensão do partido extremista liderado por Marine Le Pen, que atualmente lidera as pesquisas eleitorais. Embora uma eventual eleição legislativa antecipada não afete diretamente Macron — que não poderá se candidatar novamente em 2027 — ele permanece firme em seu compromisso de completar seu mandato atual.
A situação econômica do país também é preocupante. A França, segunda maior economia da União Europeia, enfrenta pressão para reduzir sua elevada dívida pública, que alcança 115,8% do PIB, e diminuir o déficit público para menos de 5% do PIB até 2026. Em resposta a esses desafios, o governo de Lecornu apresentou nesta terça-feira um projeto orçamentário para 2026 que inclui um esforço fiscal totalizando 30 bilhões de euros (189 bilhões de reais), principalmente através da redução dos gastos públicos, conforme indicado pelo Conselho Superior de Finanças Públicas.
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