Takahiro Shiraishi foi executado após ser condenado por nove assassinatos, a maioria de mulheres, em um caso que chocou o Japão

William Oliveira Publicado em 27/06/2025, às 09h26
Takahiro Shiraishi, notoriamente conhecido como o "assassino do Twitter", foi executado na última sexta-feira (27), no Japão. Aos 34 anos, o criminoso havia sido condenado à pena de morte em 2020, após assumir a responsabilidade por uma série de nove assassinatos brutais — a maioria das vítimas eram mulheres.
A prisão de Shiraishi ocorreu em outubro de 2017, durante as investigações sobre o desaparecimento de uma jovem de 23 anos. Ao revistarem sua residência, as autoridades encontraram três caixas térmicas e cinco contêineres contendo restos humanos, conforme relatado pela imprensa japonesa.
Durante os interrogatórios, o acusado confessou os crimes. Ele revelou que usava o Twitter para entrar em contato com pessoas com tendências suicidas, oferecendo-se para "ajudá-las" a morrer. Após conquistar a confiança das vítimas — com idades entre 15 e 26 anos —, levava-as até sua casa, onde as assassinava e desmembrava. Em alguns casos, também foram registrados abusos sexuais.
O ministro da Justiça japonês, Keisuke Suzuki, declarou que os atos de Shiraishi foram motivados por "egoísmo extremo e gratificação pessoal", classificando-os como um dos crimes mais chocantes da história recente do país.
“A sentença de morte foi finalizada após um processo judicial minucioso. Após consideração cuidadosa e deliberada de todos os fatores”, afirmou.
A pena de morte no Japão continua a gerar controvérsias. O país, ao lado dos Estados Unidos, é o único integrante do G7 que ainda aplica a pena capital. Atualmente, há 105 condenados aguardando execução no sistema prisional japonês, dos quais 49 tentam reverter suas sentenças.
Apesar das pressões internacionais contrárias à pena de morte, o governo japonês a defende com base no apoio da população. Uma pesquisa conduzida em 2024 revelou que 83% dos cidadãos japoneses apoiam sua manutenção.
Contudo, cresce o movimento contrário à execução de condenados. Essa resistência ganhou força após a absolvição de Iwao Hakamada, em setembro do ano passado. Hakamada havia sido condenado à morte em 1968 e passou mais de 50 anos no corredor da morte, até que irregularidades nas provas o livraram da pena — fato que reascendeu o debate sobre falhas judiciais e o risco de erros irreparáveis.
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