A escalada do conflito em Gaza resulta em milhares de mortes e uma grave crise humanitária

Gabriela Thier Publicado em 03/07/2025, às 14h54
Em uma declaração contundente, Israelafirmou nesta quarta-feira que não considera a possibilidade de retirar suas tropas de Gaza, argumentando que tal movimento permitiria ao Hamas reorganizar suas forças. A posição do governo israelense ocorre apenas dois dias após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um acordo de cessar-fogo de 60 dias aceito por Tel Aviv.
David Mencer, porta-voz oficial do governo israelense, expressou durante uma coletiva que a ideia de deixar Gaza e permitir que o Hamas se reagrupasse para novos ataques não é uma alternativa viável. “Não podemos permitir que uma organização terrorista jihadista se instale tão próxima de nossas casas e manifeste continuamente sua intenção de nos destruir”, destacou Mencer, conforme reportado pela agência de notícias EFE.
As declarações surgem em um momento delicado, logo após Trump ter revelado, na última terça-feira (1º), que Israel concordou com um cessar-fogo em Gaza e esperava que o Hamas também aceitasse os termos. O acordo de trégua, que tem como base uma proposta elaborada pelo enviado da Casa Branca para o Oriente Médio, Steve Witkoff, será discutido na próxima semana durante a visita do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, à Casa Branca.
Embora Israel tenha manifestado apoio à proposta desde o início, o Hamas já havia rejeitado em outras ocasiões por não incluir a retirada das tropas israelenses ou o fim das hostilidades. O Hamas afirmou recentemente que defende um acordo de trégua que contemple a cessação da ofensiva israelense, a retirada das forças militares e a entrega de ajuda humanitária aos residentes da região.
A atual escalada do conflito em Gaza teve início em outubro de 2023 após um ataque devastador do Hamas a Israel, resultando em aproximadamente 1.200 mortes e 251 reféns. Em resposta ao ataque, as operações militares israelenses causaram mais de 57 mil fatalidades em Gaza, além da destruição significativa das infraestruturas locais e uma grave crise humanitária, com a população enfrentando escassez de alimentos e assistência médica.
Dentre os 251 indivíduos sequestrados em Israel no mês passado, 49 ainda estão sob custódia no território palestino, enquanto 27 foram oficialmente declarados mortos pelo Exército israelense.
O Hamas, que controla Gaza desde 2007 e é considerado uma organização terrorista por Israel, pelos Estados Unidos e pela União Europeia, continua a ser um dos principais focos da tensão na região.
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