Reportagem aponta acordo secreto entre Teerã e empresa chinesa para uso de imagens estratégicas; Pequim rejeita acusações

Redação Publicado em 15/04/2026, às 10h18
O Irã teria utilizado um satélite espião chinês para mapear e atacar bases militares dos EUA no Oriente Médio, conforme revelado por uma reportagem do Financial Times, o que intensifica as tensões entre os dois países.
O satélite TEE-01B, adquirido pela Guarda Revolucionária iraniana em 2024, teria fornecido imagens detalhadas que orientaram ataques a alvos como a Base Aérea Príncipe Sultan na Arábia Saudita.
A China negou as acusações, classificando-as como desinformação, enquanto os EUA ainda não se pronunciaram oficialmente, embora o presidente Trump tenha indicado a possibilidade de sanções se o apoio militar ao Irã for confirmado.
Uma reportagem do jornal britânico Financial Times revelou que o Irã teria utilizado um satélite espião de origem chinesa para mapear e atacar bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio durante o conflito recente entre os dois países.
Segundo o veículo, o equipamento — identificado como TEE-01B — teria sido adquirido em um acordo sigiloso em 2024 pela Guarda Revolucionária iraniana. As imagens captadas pelo satélite teriam sido usadas para orientar ataques com mísseis e drones contra instalações militares norte-americanas.
Entre os alvos monitorados estaria a Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita. De acordo com a reportagem, registros indicam que o satélite capturou imagens detalhadas da instalação dias antes e após bombardeios, incluindo o período em que aeronaves dos EUA foram atingidas.
A publicação também afirma que o sistema foi desenvolvido pela empresa chinesa Earth Eye Co e operado com suporte de estações terrestres comerciais ligadas a uma rede baseada em Pequim. Documentos militares iranianos vazados, citados pelo jornal, apontariam o uso coordenado dessas imagens para definição de alvos estratégicos.
O governo da China negou as acusações. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores classificou a informação como “desinformação especulativa”, afirmando que o país se opõe à disseminação de alegações sem fundamento. A embaixada chinesa em Washington reforçou a posição, descartando qualquer envolvimento em ações militares indiretas.
O episódio ocorre em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, com o conflito entre Irã e Estados Unidos se intensificando desde o fim de fevereiro. Durante esse período, bases militares americanas foram alvo de ataques retaliatórios iranianos, com uso massivo de drones e mísseis.
Até o momento, o governo dos Estados Unidos não se manifestou oficialmente sobre as revelações. No entanto, o presidente Donald Trump já havia sinalizado possíveis sanções contra a China caso fosse comprovado apoio militar ao Irã.
Especialistas avaliam que, se confirmada, a utilização de tecnologia espacial estrangeira em operações militares pode representar uma nova etapa na guerra moderna, ampliando o papel de satélites comerciais e alianças estratégicas em conflitos internacionais.
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