Plano prevê cessar-fogo e reabertura da passagem estratégica, mas adia negociações sobre programa nuclear e enfrenta resistência em Washington

Lívia Gennari Publicado em 27/04/2026, às 14h00
O Irã apresentou aos Estados Unidos uma nova proposta que envolve a reabertura do Estreito de Ormuz em troca do fim do bloqueio naval imposto por Washington e da suspensão do conflito entre os dois países. Segundo informações divulgadas pela agência Associated Press e pelo site Axios nesta segunda-feira (27), o plano foi repassado aos americanos por intermediários do Paquistão e adia para um segundo momento as negociações sobre o programa nuclear iraniano.
A iniciativa, no entanto, enfrenta ceticismo na Casa Branca. O governo do presidente Donald Trump considera essencial que o Irã interrompa o enriquecimento de urânio antes de qualquer avanço diplomático, condição que continua sendo um dos principais impasses entre as partes. Ainda não há sinal de que Washington esteja disposto a aceitar os termos apresentados.
Há cerca de doze dias, os EUA anunciaram o início de uma operação naval para restringir a passagem de embarcações ligadas ao Irã no Estreito de Ormuz, em resposta à recusa de Teerã em reabrir integralmente a rota marítima, considerada uma das mais estratégicas do comércio global. A medida elevou a tensão na região e intensificou o confronto diplomático.
O fim de semana foi marcado por novos episódios de instabilidade nas negociações. Após uma viagem do chanceler iraniano, Abbas Araghchi, ao Paquistão, veículos de imprensa locais negaram qualquer possibilidade de diálogo direto com Washington, enquanto o presidente americano cancelou compromissos ligados às tratativas. Ainda assim, a proposta iraniana teria sido oficialmente encaminhada por meio de mediadores paquistaneses.
Entenda os termos do plano apresentado pelo Irã
De acordo com as informações divulgadas, o plano prevê um cessar-fogo prolongado ou até o encerramento definitivo do conflito, com a discussão sobre o programa nuclear sendo transferida para uma fase posterior, condicionada à liberação do estreito e ao fim do bloqueio naval.
Paralelamente, o Irã também enviou uma lista de pontos considerados inegociáveis nas conversas, incluindo temas ligados ao programa nuclear e ao próprio Estreito de Ormuz. A iniciativa foi apresentada como uma tentativa de “esclarecer posições” para viabilizar o diálogo.
Em meio às tensões, autoridades iranianas também defendem maior controle militar sobre a região estratégica. Propostas em discussão no parlamento do país preveem a atuação direta das forças armadas na segurança da passagem marítima e mudanças na gestão econômica do estreito, incluindo o uso da moeda local em transações ligadas à área.
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