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Irã ameaça ampliar ofensiva

Irã promete ataques “mais devastadores” contra EUA e Israel após nova escalada

Porta-voz da Guarda Revolucionária diz que mísseis foram modernizados; EUA contestam números de baixas divulgados por Teerã

A escalada de conflitos no Oriente Médio gera preocupações sobre uma guerra em larga escala em meio a tensões regionais - Imagem: Reprodução/Tasnim
A escalada de conflitos no Oriente Médio gera preocupações sobre uma guerra em larga escala em meio a tensões regionais - Imagem: Reprodução/Tasnim

Letícia Sales Publicado em 04/03/2026, às 13h43


O general Ali Mohammad Naeini, porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), afirmou que os ataques retaliatórios do Irã contra Estados Unidos e Israel “serão ainda mais devastadores”. Segundo ele, os mísseis utilizados por Teerã foram modernizados e são mais avançados do que os empregados no conflito do ano passado.

A declaração faz referência à chamada guerra de 12 dias, em junho de 2025, quando confrontos diretos entre Irã e Israel deixaram 963 mortos, quase 8 mil feridos e cerca de 700 presos, em mais de 2 mil ataques registrados. O cessar-fogo foi mediado pelos Estados Unidos, enquanto Israel justificou a ofensiva como uma ação preventiva diante de supostos avanços nucleares iranianos.

Os inimigos devem esperar ataques contínuos do Irã. […] Os portões do inferno se abrirão cada vez mais para os EUA e o regime sionista”, afirmou Naeini, em declaração divulgada pela agência semi-oficial Tasnim.

De acordo com o general, os ataques conduzidos no âmbito da Operação Verdadeira Promessa 4 teriam surpreendido adversários ao atingir alvos em territórios controlados por Israel e bases norte-americanas na região. A Tasnim noticiou que um destróier dos EUA teria sido atingido no Oceano Índico, a cerca de 650 quilômetros da costa sul iraniana, além da suposta derrubada de um caça F-15 na fronteira entre Irã e Kuwait. As informações não foram confirmadas por Washington.

Ainda segundo a IRGC, mais de 650 militares norte-americanos teriam sido mortos ou feridos nos dois primeiros dias da ofensiva. Os Estados Unidos contestam os números e informaram que, até terça-feira (3), quatro militares haviam morrido nas operações.

Também nesta quarta-feira (4), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, criticou o ex-presidente Donald Trump e acusou os EUA de sabotarem o diálogo diplomático.

Quando negociações nucleares complexas são tratadas como uma transação imobiliária, e quando grandes mentiras obscurecem a realidade, expectativas irreais jamais serão atendidas. O resultado? Um ataque à mesa de negociações por puro despeito”, disse.

Araghchi destacou que o Irã estava em negociação com os Estados Unidos quando os ataques começaram, reforçando o discurso de que houve ruptura unilateral do processo diplomático.

A escalada amplia a tensão no Oriente Médio e reacende temores de um conflito regional de maiores proporções, em um cenário já marcado por instabilidade e disputas estratégicas.


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