Governo iraniano afirma manter compromisso com a diplomacia, mas alerta para resposta mais dura em caso de novos ataques

Letícia Sales Publicado em 08/06/2026, às 09h39
O comando militar do Irã anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão de suas operações contra Israel, após novos episódios de tensão entre os dois países colocarem em risco o cessar-fogo em vigor. A decisão foi divulgada por meio de um comunicado transmitido pela televisão estatal iraniana.
Segundo o comando de Khatam al-Anbiya, as forças iranianas interromperam as ações militares após o que classificaram como uma resposta aos recentes ataques israelenses. Apesar da suspensão das operações, o regime deixou claro que poderá voltar a agir caso ocorram novas agressões.
Em comunicado, as autoridades afirmaram: "Anuncia-se a cessação das operações das forças armadas. No entanto, ressalta-se que, caso os atos de agressão e hostilidade continuem, inclusive no sul do Líbano, medidas muito mais severas e repressivas do que as anteriores serão tomadas".
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também se manifestou nas redes sociais. Segundo ele, o país continua apostando na via diplomática, mas sem abrir mão da capacidade de defesa.
"Nossa prioridade é a segurança nacional e a tranquilidade do povo. Defendemos os direitos da nação com autoridade e não recuaremos diante de nenhuma ameaça. Diplomacia e defesa são as duas asas do poder nacional; nem abandonamos o campo de batalha, nem a mesa de negociações. Com a ajuda de Deus, com unidade e racionalidade, o Irã sairá vitorioso desta prova também", escreveu.

Pouco antes do anúncio iraniano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia indicado que negociações para consolidar uma trégua estavam em andamento. Em publicação na Truth Social, o líder norte-americano criticou os recentes confrontos e cobrou avanços nas conversas de paz.
"Ambos os lados, Israel e Irã, estão buscando um cessar-fogo imediato! As negociações finais sobre a 'paz' estão em andamento, sujeitas a que a ignorância ou a estupidez as atrapalhem. O bloqueio permanecerá em vigor, com toda a sua força e efeito, até que um 'acordo final' seja alcançado. As coisas devem avançar rapidamente", declarou.
Apesar das sinalizações favoráveis à trégua, o clima entre Teerã e Washington continua marcado por desconfiança. O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei, responsabilizou os Estados Unidos pelas recentes violações do cessar-fogo e afirmou que os novos ataques dificultam o avanço das negociações diplomáticas.
A tensão também expôs divergências entre Estados Unidos e Israel. Trump voltou a criticar os ataques israelenses em território libanês e confirmou ter repreendido o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, durante discussões sobre a condução do conflito.
Enquanto as negociações prosseguem, a comunidade internacional acompanha com cautela os desdobramentos da crise, diante do risco de uma nova escalada militar em uma das regiões mais instáveis do planeta.
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