Número reconhecido oficialmente expõe dimensão da violência estatal em meio a manifestações, apagão de internet e pressão internacional sobre o regime.

Ana Beatriz Publicado em 13/01/2026, às 10h28
O governo do Irã reconheceu, pela primeira vez, a dimensão letal da onda de protestos que tomou o país nas últimas semanas. Segundo uma autoridade iraniana ouvida pela agência Reuters nesta terça-feira (13), cerca de 2 mil pessoas morreram durante os confrontos registrados em meio às manifestações, incluindo civis e membros das forças de segurança.
A declaração marca a primeira admissão oficial de um número tão elevado de mortos desde o início da repressão, que já dura cerca de duas semanas e se espalhou por diversas regiões do país. A autoridade afirmou que “terroristas” estariam por trás das mortes de manifestantes e agentes de segurança, mas não apresentou um detalhamento sobre o perfil das vítimas nem dados individualizados.
Os protestos representam mais um desafio interno ao regime iraniano, que enfrenta manifestações recorrentes há pelo menos três anos, impulsionadas por crises econômicas, restrições às liberdades civis e insatisfação social. A atual escalada ocorre em um contexto de forte pressão internacional, intensificada após os ataques de Israel e dos Estados Unidos ao país no ano passado.
Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã é governado por autoridades religiosas, que têm adotado uma estratégia dupla diante das mobilizações populares: reconhecem parte das reivindicações ligadas à situação econômica, mas mantêm uma repressão rigorosa contra atos considerados ameaças à ordem e à segurança nacional.
Antes do reconhecimento oficial, organizações de defesa dos direitos humanos já apontavam centenas de mortos e mais de 10 mil pessoas presas desde o início da onda de protestos. No entanto, o fluxo de informações tem sido severamente prejudicado pelas restrições impostas pelo governo, incluindo cortes e instabilidade na internet, o que dificulta a verificação independente dos números e dos relatos vindos do país.
A admissão do alto número de mortes reacende críticas internacionais ao regime iraniano e amplia o debate sobre violações de direitos humanos em meio à repressão às manifestações.
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