Plano, que envolve o controle americano sobre Gaza, é vista pela comunidade internacional como uma agressão ao povo palestino e suas reivindicações

William Oliveira Publicado em 05/02/2025, às 12h18
O grupo terrorista Hamas, manifestou forte desaprovação à recente declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sugeriu "assumir o controle" da Faixa de Gaza e realocar seus habitantes para outros países. Em uma nota oficial divulgada nesta quarta-feira (5), o porta-voz do Hamas, Abdel Latif al Qanu, qualificou a proposta como "racista" e alinhada às ideologias da extrema direita israelense.
Na comunicação, o Hamas destacou que a sugestão representa uma agressão contra o povo palestino e sua causa, alertando que tal movimento não trará estabilidade à região, mas agravará as tensões existentes.
A proposta foi apresentada por Trump durante uma coletiva de imprensa realizada em Washington ao lado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. O presidente americano não forneceu detalhes sobre a implementação do controle ou a logística necessária para a transferência dos mais de dois milhões de habitantes da região, mas afirmou que os EUA se comprometeriam a desmantelar explosivos não detonados e limpar os escombros, transformando Gaza em um local "incrível".
Trump também sugeriu uma "propriedade a longo prazo" dos EUA sobre o território, comparando-o à "Riviera do Oriente Médio". Em resposta, Netanyahu elogiou a proposta como uma oportunidade histórica, que deveria ser analisada com cuidado, considerando o apoio que recebe de facções políticas que aspiram ao retorno de assentamentos judaicos na região.
Desde o início da guerra, desencadeada pelo ataque do Hamas em outubro de 2023, Gaza sofreu grandes devastamentos. Um cessar-fogo estabelecido no mês anterior possibilitou a troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos.
A rejeição à proposta americana não se limitou ao Hamas. O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas, expressou sua desaprovação durante uma visita à Jordânia, afirmando que ele e outros líderes palestinos não aceitarão planos que impliquem o deslocamento forçado dos palestinos de sua terra natal.
Os residentes da Faixa de Gaza também se manifestaram indignados com as ideias apresentadas por Trump. Hatem Azzam, morador da cidade de Rafah, criticou o presidente americano por tratar Gaza como um mero depósito de lixo.
Para muitos palestinos, qualquer tentativa de forçá-los a deixar Gaza revive as memórias traumáticas da Nakba – evento que marcou o deslocamento em massa dos palestinos durante a fundação do Estado de Israel, em 1948.
Embora Trump tenha sido vago sobre os métodos pelos quais os EUA assumiriam controle do território, ele não descartou a possibilidade de presença militar, se necessário. As reações negativas também vieram de países vizinhos; o Egito categoricamente rejeitou a ideia, e seu ministro das Relações Exteriores, Badr Abdelatty, defendeu uma rápida reconstrução de Gaza sem deslocar seus habitantes.
A Jordânia e o Catar igualmente expressaram oposição à proposta. O ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, reiterou que qualquer forma de deslocamento dos palestinos é inaceitável. A China também criticou as intenções americanas, ressaltando que o governo palestino deve ser mantido pelos próprios palestinos e condenando transferências forçadas.
A França reafirmou que o futuro da Faixa de Gaza deve estar ligado à criação de um Estado palestino soberano, e não ao controle por uma potência externa.
A atual guerra em Gaza teve início após o ataque do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, resultando na morte de 1.210 pessoas, a maioria civis, de acordo com informações coletadas pela AFP. A resposta militar israelense já causou mais de 47.518 mortes em Gaza, predominantemente entre civis, segundo dados fornecidos pelo Ministério da Saúde local.
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