Iniciativa que promete residência legal mediante investimento milionário tem apenas um beneficiado confirmado até agora e contradições em números divulgados.

Ana Beatriz Publicado em 25/04/2026, às 07h51
O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, anunciou a aprovação do primeiro visto do programa 'cartão ouro', que oferece residência legal em troca de um investimento mínimo de US$ 1 milhão, embora a adesão tenha sido limitada até agora.
Até o momento, apenas um candidato recebeu autorização, contrastando com declarações anteriores que indicavam arrecadação de US$ 1,3 bilhão em poucos dias, levantando dúvidas sobre a demanda e a efetividade do programa.
A iniciativa visa reposicionar a política imigratória com foco em investidores de alto patrimônio, mas enfrenta incertezas quanto aos critérios de seleção e prazos de aprovação, o que pode comprometer seu impacto econômico e relevância na política migratória.
O governo do presidente Donald Trump confirmou a aprovação do primeiro visto do chamado “cartão ouro”, programa que permite a estrangeiros obter residência legal nos Estados Unidos mediante investimento mínimo de US$ 1 milhão. A informação foi divulgada na quinta-feira, dia 23, pelo secretário de Comércio Howard Lutnick durante audiência no Congresso americano.
Apesar do anúncio inicial ambicioso, o programa ainda apresenta adesão limitada. Segundo Lutnick, apenas um candidato recebeu autorização até o momento, enquanto “centenas” de solicitações seguem em análise. O número contrasta com declarações anteriores do próprio secretário, que em dezembro afirmou que o governo teria arrecadado cerca de US$ 1,3 bilhão em poucos dias com a venda dos vistos.
O “cartão ouro” foi apresentado por Trump no fim do ano passado como uma alternativa mais robusta ao tradicional green card. Na proposta original, o custo poderia chegar a até US$ 5 milhões por candidato, com o objetivo de atrair investidores estrangeiros de alto patrimônio e estimular a economia dos Estados Unidos por meio de injeção direta de capital.
A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do governo para reposicionar a política imigratória sob uma lógica econômica, priorizando perfis com alto potencial de investimento. A ideia segue modelos já adotados por outros países, que oferecem residência ou cidadania em troca de aportes financeiros relevantes.
No entanto, a diferença entre os números divulgados ao longo do tempo levanta questionamentos sobre a real demanda pelo programa e sua efetividade prática. Especialistas apontam que o alto custo pode limitar significativamente o alcance da iniciativa, restringindo o público a um grupo extremamente seleto de investidores globais.
Além disso, ainda não há clareza sobre critérios detalhados de seleção, prazos de aprovação e impacto direto na economia americana, o que contribui para um cenário de incerteza em torno da política.
Mesmo com a promessa de impulsionar investimentos estrangeiros, o programa começa com ritmo mais lento do que o inicialmente sugerido, colocando em dúvida sua capacidade de se consolidar como ferramenta relevante dentro da política migratória dos Estados Unidos.
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