Harvard considera as ações do governo como inconstitucionais, enquanto Trump critica a instituição por seus valores liberais

Gabriela Thier Publicado em 27/05/2025, às 14h44
O governo dos Estados Unidos anunciou, na última terça-feira (27), a intenção de cancelar todos os contratos vigentes com a Universidade Harvard. A informação foi divulgada por um alto funcionário da administração, que preferiu permanecer anônimo. Essa ação representa um esforço para submeter a renomada instituição a uma supervisão sem precedentes.
Segundo o oficial, uma carta será enviada às agências federais solicitando a identificação de contratos existentes com Harvard e avaliando a possibilidade de cancelá-los ou redirecioná-los para outras entidades. Os contratos em questão podem ultrapassar a marca de 100 milhões de dólares, equivalente a cerca de 566 milhões de reais, estabelecendo uma ruptura significativa entre o governo federal e uma das mais antigas e prestigiadas universidades do país.
A administração Trumptem criticado Harvard, acusando a instituição de fomentar o antissemitismo e promover valores considerados liberais. A universidade tem resistido ao controle governamental sobre suas políticas de admissão e contratação de professores, o que gerou tensões entre as partes. Nos últimos dias, Harvard viu bilhões em subsídios congelados como parte desse confronto.
Além disso, o governo tentou restringir a capacidade da universidade em admitir estudantes internacionais. Entretanto, uma decisão judicial impediu essa ação, levantando incertezas sobre o futuro de milhares de alunos e as receitas significativas que esses estudantes trazem para a instituição.
A resposta de Harvard à pressão do governo foi clara: a universidade considera as medidas propostas pela administração como inconstitucionais e prejudiciais ao seu funcionamento normal. Na segunda-feira, Trump reiterou sua postura nas redes sociais, afirmando que entre os estudantes internacionais da universidade há "lunáticos radicalizados e desordeiros".
Recentemente, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, revogou a autorização para que Harvard matriculasse estudantes estrangeiros, intensificando ainda mais as incertezas sobre o futuro acadêmico desses alunos. No mês anterior, ela havia ameaçado bloquear as inscrições internacionais na universidade até que fossem fornecidas informações sobre supostas "atividades ilegais e violentas" envolvendo titulares de vistos.
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