Fundo Monetário Internacional aprovou repasse de US$ 1 bilhão após segunda revisão do acordo firmado com o governo argentino, mas apontou descumprimento da meta de reservas internacionais.

Ana Beatriz Publicado em 24/05/2026, às 22h23
O Fundo Monetário Internacional liberou US$ 1 bilhão para a Argentina, parte de um acordo de US$ 20 bilhões, em meio a um ajuste fiscal sob a gestão do presidente Javier Milei, que busca estabilizar a economia do país.
O FMI elogiou a execução do programa econômico argentino, destacando que a maioria das metas foi cumprida, embora a acumulação de reservas internacionais tenha sido um ponto fraco.
Apesar do apoio do FMI, a Argentina enfrenta desafios significativos, como a recuperação das reservas cambiais e o impacto social das medidas de austeridade, enquanto busca fortalecer suas contas externas.
O Fundo Monetário Internacional anunciou nesta quinta feira (21) a liberação de uma nova parcela de US$ 1 bilhão, equivalente a cerca de R$ 5 bilhões, para a Argentina dentro do programa de crédito de US$ 20 bilhões firmado entre o país e o organismo internacional há um ano.
A aprovação ocorreu durante a segunda revisão do chamado Acordo de Facilidades Estendidas, mecanismo utilizado pelo FMI para apoiar países que enfrentam dificuldades econômicas estruturais e necessitam de reformas de longo prazo.
Em comunicado oficial, o fundo avaliou positivamente a condução econômica do governo do presidente Javier Milei e afirmou que a administração argentina manteve uma execução “sólida” do programa econômico, mesmo diante de um cenário global considerado mais desafiador.
Segundo o FMI, a maior parte das metas previstas no acordo foi cumprida pelo governo argentino. O organismo destacou que “a maioria dos critérios de desempenho e metas indicativas-chave foi alcançada”, embora tenha apontado que a Argentina não conseguiu atingir a meta de acumulação de reservas internacionais líquidas estabelecida anteriormente.
A liberação da nova parcela acontece em meio ao processo de forte ajuste fiscal implementado por Javier Milei desde o início de seu governo. O presidente argentino adotou uma política econômica baseada em cortes de gastos públicos, redução do tamanho do Estado, flexibilização econômica e medidas voltadas ao controle da inflação, que historicamente afeta o país.
Nos últimos meses, a gestão Milei passou a ser acompanhada de perto pelo mercado financeiro internacional e por organismos multilaterais devido à velocidade das reformas econômicas promovidas na Argentina. Apesar do apoio demonstrado pelo FMI, o governo argentino ainda enfrenta desafios relacionados à recuperação das reservas cambiais, estabilidade monetária e impacto social das medidas de austeridade.
O acordo total de US$ 20 bilhões firmado com o FMI é considerado estratégico para a Argentina, que busca reorganizar sua economia após anos de crise fiscal, inflação elevada, desvalorização cambial e dificuldades no acesso ao crédito internacional.
Especialistas avaliam que a aprovação da nova parcela representa um sinal importante de confiança do FMI na condução econômica do governo Milei, especialmente em um contexto internacional marcado por desaceleração econômica global, tensões geopolíticas e instabilidade nos mercados.
Mesmo com o avanço no cumprimento das metas fiscais, o tema das reservas internacionais segue sendo uma das principais preocupações envolvendo a economia argentina. O país ainda depende de fortalecimento das contas externas e aumento da entrada de dólares para garantir maior estabilidade financeira nos próximos meses.

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