Democrata foi presidente dos Estados Unidos de 1977 a 1981 e se destacou por sua firme oposição a regimes autoritários

William Oliveira Publicado em 30/12/2024, às 08h00
Jimmy Carter, o 39º presidente dos Estados Unidos, faleceu no último domingo (29), aos 100 anos, em sua residência em Plains, Geórgia, onde também nasceu. Ele ocupou a Casa Branca de 1977 a 1981 e se destacou por sua firme oposição a regimes autoritários, como a ditadura militar no Brasil.
Seu filho, Chip Carter, expressou a dor da perda em um comunicado: "Meu pai foi um herói, não só para mim, mas para todos que acreditam na paz, nos direitos humanos e no amor altruísta."
Durante seu mandato, Carter se tornou uma voz ativa contra as ditaduras latino-americanas e defendeu os direitos civis. Desde fevereiro de 2023, ele estava sob cuidados paliativos em casa; no entanto, a causa exata de sua morte ainda não foi divulgada. A fundação que leva seu nome anunciou que homenagens serão realizadas em Atlanta e Washington.
Antes de chegar à presidência, Carter teve uma carreira política que incluiu cargos como senador e governador da Geórgia. Seu governo foi marcado por uma grave crise econômica e por esforços diplomáticos em várias partes do mundo. Um evento que prejudicou sua imagem foi o sequestro de 52 americanos na embaixada dos EUA em Teerã, em 1979; os reféns foram libertados após 444 dias de cativeiro.
Carter foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 2002, reconhecido por seu trabalho incansável na promoção de soluções pacíficas para conflitos internacionais e na defesa dos direitos humanos. Ele dedicou sua vida à luta pela democracia e pelos direitos civis após deixar a presidência.
Nascido James Earl Carter Jr. em 1º de outubro de 1924, ele cresceu em uma cidade rural da Geórgia. Formou-se pela Academia Naval dos Estados Unidos e serviu na Marinha antes de retornar para assumir os negócios da família após a morte do pai.
Carter iniciou sua trajetória política localmente e foi eleito senador da Geórgia em 1962. Em 1970, tornou-se governador do estado e implementou reformas significativas durante seu mandato. Sua eleição à presidência ocorreu em meio ao descontentamento popular com o escândalo Watergate.
Em seu discurso inaugural, Carter prometeu transparência: "Eu sou Jimmy Carter e estou concorrendo à presidência. Eu nunca vou mentir para você." No entanto, sua administração enfrentou desafios significativos, incluindo uma crise energética aguda e tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Os Acordos de Camp David entre Israel e Egito, mediados por Carter em 1978, são considerados um marco importante de sua gestão. Em contraste, o boicote às Olimpíadas de Moscovo em 1980, devido à invasão soviética do Afeganistão, gerou controvérsias.
Após deixar o cargo, Carter voltou a Plains e se envolveu ativamente em obras humanitárias por meio da Fundação Carter. Ele também escreveu mais de vinte livros sobre diversos temas, incluindo política e religião.
Carter era conhecido por seu profundo compromisso com a fé cristã e suas ações altruístas ao longo da vida. Em suas palavras: "Minha fé exige que eu faça tudo o que puder para fazer a diferença."
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