Tensões aumentam em meio a críticas internacionais

Gabriela Thier Publicado em 02/12/2024, às 17h22
O ex-ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon, levantou sérias acusações contra a administração do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, alegando que o governo está promovendo uma política de limpeza étnica no norte da Faixa de Gaza, com o objetivo de anexar o território por meio da construção de assentamentos judaicos. Em entrevista a um canal de televisão israelense, Yaalon, que atuou como ministro entre 2013 e 2016 e foi chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, afirmou que ações que podem ser classificadas como crimes de guerra estão em curso na região.
De acordo com Moshe Yaalon, "o caminho que estamos sendo arrastados atualmente é conquistar, anexar e realizar uma limpeza étnica. Olhe para o norte da Faixa, transfere-se famílias e estabelece-se um assentamento judaico. Não existe mais Beit Lahiya, não existe Beit Hanoun. Eles estão atualmente trabalhando em Jabalia e estão basicamente limpando a área dos árabes", declarou ao canal Democrat TV.
Essas afirmações foram prontamente negadas pelas autoridades israelenses. O partido governista Likud criticou as declarações de Yaalon, classificando-as como "mentiras caluniosas", segundo informações divulgadas pela agência Reuters. Na segunda-feira (2), as Forças de Defesa de Israel (FDI) também se pronunciaram sobre o assunto.
Um porta-voz militar afirmou à mídia pública israelense Kan News que as FDI operam dentro dos limites do direito internacional, realizando evacuações populacionais apenas quando operacionalmente necessário e temporariamente, visando à proteção dos civis. Ele refutou veementemente as acusações de limpeza étnica na Faixa de Gaza, alegando que tais comentários prejudicam tanto a imagem das FDI quanto a moral dos seus soldados.
Respondendo às críticas recebidas nas redes sociais, Moshe Yaalon lembrou que o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, expressou publicamente o desejo de reduzir drasticamente a população de Gaza e não demonstrou preocupação em deixar os dois milhões de palestinos na região sem assistência humanitária. Além disso, destacou que Itamar Ben Gvir, atual ministro da Segurança Nacional de Israel, tem sido um defensor da imigração dos palestinos para fora da área.
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