Diário de São Paulo
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Conflito no Oriente Médio

Estados Unidos se dividem sobre apoio à guerra contra o Irã

Congresso analisa propostas para limitar poderes de Donald Trump, enquanto pesquisas apontam maioria da população contrária aos ataques

Congresso tenta frear ofensiva de Trump. - Imagem: Reprodução/Freepik.
Congresso tenta frear ofensiva de Trump. - Imagem: Reprodução/Freepik.

Erika Osti Publicado em 04/03/2026, às 17h29


Os Estados Unidos enfrentam um cenário de forte divisão política e social em torno da ofensiva militar contra o Irã. Pesquisas recentes mostram que a maioria da população rejeita os ataques, ao mesmo tempo em que o Congresso discute propostas para limitar os poderes do presidente Donald Trump e exigir autorização formal do Parlamento para manter a guerra. A Casa Branca defende que a ação é estratégica e necessária, mas sofre pressão de parlamentares que questionam tanto a legalidade da decisão quanto a ausência de uma justificativa clara sobre os objetivos do conflito.

Levantamento da Reuters em parceria com o Ipsos aponta que apenas 27% dos norte-americanos apoiam os ataques contra Teerã. Já pesquisa da CNN com o instituto SSRS mostrou 41% de aprovação e 69% de desaprovação. Trump afirmou que não se guia por sondagens e declarou que precisava “fazer a coisa certa”.

No Congresso, duas resoluções buscam limitar a capacidade do presidente de manter ações militares sem aval legislativo. O senador democrata Tim Kaine apresentou proposta exigindo autorização formal para ataques ao Irã e afirmou que os norte-americanos querem estabilidade econômica, não uma nova guerra no Oriente Médio. Parte dos democratas questiona a ausência de justificativa clara sobre ameaça iminente. Já o senador John Fetterman apoia a ofensiva, defendendo que o Irã não pode desenvolver arma nuclear.

Entre os republicanos, que controlam o Congresso, o apoio é majoritário, embora haja fissuras na base do movimento Maga. A deputada Nancy Mace sinalizou respaldo inicial, mas disse que poderá rever a posição caso o conflito se prolongue.

Nas ruas, manifestações contrárias reuniram poucas centenas de pessoas. Também houve atos celebrando a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, organizados por setores da diáspora anti-regime.

A imprensa reflete a divisão. O The New York Times classificou a ação como imprudente por falta de explicação estratégica, embora considere legítimo conter o programa nuclear iraniano. O The Wall Street Journal defendeu a continuidade da ofensiva. Para analistas, a oposição ainda é pontual, mas pode crescer se o número de mortos aumentar ou se a guerra se estender.


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