Autoridades sanitárias reforçam monitoramento diante do avanço da doença em países vizinhos ao Congo e Uganda

Redação Publicado em 24/05/2026, às 17h40
O avanço do surto de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda levou autoridades sanitárias africanas a elevarem o nível de atenção no continente. O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças informou que dez países foram classificados como áreas de alto risco para registrar novos casos da doença, devido à proximidade geográfica com regiões afetadas, ao fluxo intenso de pessoas e às fragilidades no controle de fronteiras.
Entraram na lista de alerta: Sudão do Sul, Ruanda, Quênia, Zâmbia, República Centro-Africana, Tanzânia, Etiópia, Angola, Congo e Burundi. Segundo o presidente do CDC África, Jean Kaseya, a situação segue em monitoramento constante e pode mudar conforme a evolução da epidemia.
Na República Democrática do Congo, a Organização Mundial da Saúde elevou a classificação do risco sanitário de “alto” para “muito alto”. O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a rápida disseminação da doença preocupa as autoridades internacionais. Até o momento, o país registra 82 casos confirmados e sete mortes, além de centenas de ocorrências suspeitas ainda em investigação.
Em Uganda, o Ministério da Saúde confirmou três novos diagnósticos, incluindo um profissional da área da saúde. Com a atualização, o país contabiliza cinco casos confirmados da doença. Parte dos pacientes esteve recentemente na província de Ituri, no leste congolês, uma das áreas mais afetadas pelo atual surto.
Plano emergencial
Diante do cenário, a OMS e o CDC África anunciaram um plano conjunto de resposta com duração de seis meses e orçamento estimado em US$ 319 milhões. A iniciativa envolve os 55 países membros da União Africana e prevê ações emergenciais para tentar conter o avanço do vírus. A maior parte dos recursos será destinada diretamente às operações na República Democrática do Congo e em Uganda, enquanto outra parcela será usada para fortalecer a prevenção dos países considerados mais vulneráveis.
As estratégias incluem isolamento de pacientes, reforço em medidas sanitárias e mobilização comunitária. Autoridades também demonstraram preocupação com a ausência de vacinas e tratamentos aprovados para a cepa Bundibugyo, responsável pelo atual surto. Sem medicamentos específicos disponíveis, a contenção depende principalmente da identificação rápida dos casos e da redução do contato com pessoas infectadas.
O que é o ebola?
O ebola é uma zoonose, transmitida inicialmente aos humanos a partir do contato com animais silvestres infectados, como morcegos e primatas. Os sintomas incluem febre alta, dores no corpo e sangramentos internos e externos, apresentando alta taxa de mortalidade. A transmissão ocorre pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas — como sangue, saliva, suor, vômito e fezes — ou por meio de objetos contaminados.
Apesar da letalidade, especialistas destacam que o vírus possui capacidade de transmissão menor do que doenças como covid-19 e sarampo. Desde que foi identificado, o ebola já causou mais de 15 mil mortes no continente africano ao longo das últimas décadas.
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