Tarifas protecionistas de Trump podem elevar a inflação nos EUA, forçando o FED a subir juros. Para o Brasil, isso significaria dólar mais forte e dificuldades nas exportações

por Marina Milani
Publicado em 06/11/2024, às 12h22
Donald Trump, ao disputar um segundo mandato nos Estados Unidos, propôs uma série de medidas econômicas que, segundo analistas, podem afetar o cenário econômico global, especialmente para países como o Brasil. Dentre as propostas mais polêmicas, destacam-se a deportação em massa de imigrantes, tarifas elevadas sobre importados e o aumento de subsídios, que especialistas afirmam que poderão elevar a dívida pública americana, aumentar a inflação e reduzir o comércio global.
Trump sugere a aplicação de tarifas entre 10% e 20% para todos os parceiros comerciais, chegando a 60% para produtos chineses. Embora ele argumente que as medidas incentivariam a produção doméstica, economistas discordam. Uma pesquisa do The Wall Street Journal mostrou que 39 especialistas em economia desaprovaram unanimemente a proposta. Segundo José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, as tarifas mais altas “ou viram inflação ou causam redução de demanda,” o que pode gerar aumento de preços no mercado americano.
Dólar mais alto, menos exportações
A política protecionista de Trump, caso aplicada, pode resultar em uma inflação nos EUA que levaria o Federal Reserve (FED) a aumentar as taxas de juros, fortalecendo o dólar. Para o Brasil, isso pode significar uma moeda americana ainda mais valorizada e dificuldades para exportar, segundo Gonçalves. Além disso, as sobretaxas sobre produtos chineses poderiam impactar o mercado global de commodities, setor no qual o Brasil é um dos maiores exportadores para a China.
Os Estados Unidos são um dos principais destinos das exportações chinesas, e uma guerra comercial intensificada entre os dois países pode reduzir essa corrente de comércio, impactando a demanda da China por commodities brasileiras. José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, sugere que uma desaceleração econômica chinesa impactaria a América Latina, podendo até reduzir o preço das commodities.
Soja brasileira
Por outro lado, uma guerra comercial poderia beneficiar as exportações de soja brasileiras, à medida que a China potencialmente redirecionaria suas compras para o Brasil, segundo Tim Hunter, economista-sênior para América Latina.
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