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CIÊNCIA

Descoberta de 200 milhões de anos surpreende região dos Alpes

Cientistas identificaram milhares de pegadas de dinossauros em uma encosta nos Alpes italianos

Marcas de plateossauros, herbívoros do Triássico, foram preservadas em lama - Imagem gerada por IA
Marcas de plateossauros, herbívoros do Triássico, foram preservadas em lama - Imagem gerada por IA

William Oliveira Publicado em 14/02/2026, às 17h45


Uma parede rochosa quase vertical, localizada a mais de 2 mil metros de altitude, revelou-se um dos sítios paleontológicos mais ricos do planeta. No Parque Nacional Stelvio, na região da Lombardia, cientistas identificaram milhares de pegadas de dinossauros do período Triássico, distribuídas por cerca de cinco quilômetros no vale glacial de Fraele.

A descoberta ocorreu nas proximidades de Bormio, uma das sedes oficiais dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026. Para Cristiano Dal Sasso, do Museu de História Natural de Milão, o achado é um dos mais espetaculares de sua carreira de mais de 35 anos, tanto pela antiguidade quanto pela extensão da área.

Marcas de 200 milhões de anos

Especialistas apontam que os rastros pertencem a manadas de plateossauros — herbívoros de pescoço longo que habitaram a região há mais de 200 milhões de anos. Naquele período, o que hoje são montanhas geladas era uma lagoa quente e lamacenta, situada às margens do antigo oceano Tétis.

A lama macia preservou impressões detalhadas de dedos e garras, algumas com até 40 centímetros de largura, permitindo a análise precisa da anatomia dos animais.

Com o movimento das placas tectônicas e a formação dos Alpes, o terreno que antes era horizontal foi comprimido e elevado, deixando as pegadas praticamente “em pé” na encosta da montanha — fenômeno que torna o sítio ainda mais singular.

Ciência e tecnologia nas alturas

O achado foi feito por acaso, após um fotógrafo de vida selvagem avistar as marcas durante uma expedição. Devido ao difícil acesso e à altitude elevada, o estudo detalhado será realizado com auxílio de drones e tecnologias de sensoriamento remoto.

O presidente do comitê organizador de Milão-Cortina 2026, Giovanni Malagò, classificou a descoberta como um “presente inesperado” da natureza para os Jogos Olímpicos, reforçando a relevância científica e cultural da região alpina.


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