Pesquisa da Universidade de Reading destaca que mudanças climáticas e perda de habitat podem levar à extinção de aves

William Oliveira Publicado em 24/06/2025, às 13h21
Um novo estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution revela que as mudanças climáticas e a perda de habitat podem levar à extinção de mais de 500 espécies de aves ao longo do próximo século. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Reading, no Reino Unido, aponta que esse número representa um aumento alarmante em relação às extinções registradas desde 1500 d.C., que somam três vezes menos.
Entre as aves ameaçadas estão espécies vulneráveis como o pássaro-guarda-chuva-de-pescoço-pelado, o calau-de-capacete e o pássaro-sol-de-barriga-amarela. A extinção dessas espécies comprometeria significativamente a diversidade de formas e tamanhos avícolas, afetando ecossistemas que dependem delas para funções essenciais.
Os pesquisadores alertam que, mesmo com a adoção de medidas de proteção contra ameaças provocadas pela ação humana — como a degradação ambiental, a caça indiscriminada e as alterações climáticas — cerca de 250 espécies ainda correm sério risco de desaparecer. Kerry Stewart, principal autora do estudo, afirma que muitas aves já enfrentam níveis críticos de ameaça e que mitigar os impactos humanos não será suficiente para garantir sua sobrevivência. Ela defende a implementação de programas especiais de recuperação, como projetos de reprodução em cativeiro e restauração de habitats.
Stewart classifica o cenário como uma crise sem precedentes na história recente da extinção de aves e clama por ações urgentes para conter as ameaças humanas em diversos habitats naturais. Os cientistas analisaram quase 10 mil espécies com base em dados da Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), prevendo os riscos de extinção de acordo com as ameaças específicas enfrentadas por cada uma.
A pesquisa também destaca que aves de maior porte são particularmente vulneráveis à caça e às mudanças climáticas, enquanto espécies com asas largas sofrem mais intensamente com a destruição dos habitats. O estudo ainda identifica quais estratégias de conservação seriam mais eficazes tanto para proteger a quantidade de espécies quanto suas funções ecológicas nos ambientes em que vivem.
Manuela Gonzalez-Suarez, coautora da pesquisa, observa que conter ameaças já conhecidas não é suficiente. Entre 250 e 350 espécies exigirão medidas complementares para sobreviver ao longo do século. A cientista defende que, ao priorizar programas de proteção para cerca de 100 das aves mais ameaçadas, seria possível preservar até 68% da diversidade funcional prestes a se perder, contribuindo diretamente para a estabilidade dos ecossistemas.
O relatório também ressalta que interromper a destruição dos habitats naturais pode salvar a maior parte dessas espécies. No entanto, reduzir a caça e evitar mortes acidentais será essencial para proteger aves com características únicas e insubstituíveis para o equilíbrio ecológico do planeta.
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