Soldados da Coreia do Norte cruzam a Zona Desmilitarizada e voltam após disparos

Sabrina Oliveira Publicado em 11/06/2024, às 10h52
No domingo, 9 de junho, as tensões entre as Coreias se intensificaram quando soldados norte-coreanos cruzaram a fronteira que separa os dois países na Zona Desmilitarizada (DMZ). Em resposta, os militares sul-coreanos dispararam tiros de aviso, forçando o retorno dos soldados para o lado norte-coreano. A informação foi divulgada nesta terça-feira, 11 de junho, pela agência de notícias sul-coreana Yonhap.
O incidente ocorre em meio a uma crescente escalada de tensões na península coreana, acalorada por uma série de provocações mútuas envolvendo o envio de balões entre os países. A Coreia do Sul, que não divulgou o número exato de soldados que cruzaram a linha de demarcação militar, afirmou em comunicado que a incursão não foi considerada intencional, dada a densidade da floresta na região que torna a linha da fronteira difícil de ser identificada.
Recentemente, a Coreia do Norte tem enviado balões carregados com lixo e fezes para o Sul, como uma forma de retaliação ao envio de balões por ativistas sul-coreanos contendo dinheiro, pen-drives com músicas sul-coreanas e panfletos contra o regime de Kim Jong-un. Esta "guerra de balões" culminou na suspensão de um acordo de 2018, que visava reduzir as tensões militares na fronteira.
A troca de balões se intensificou no final de maio, quando Pyongyang justificou sua ação como uma resposta aos balões lançados por ativistas sul-coreanos. Em um dos episódios mais recentes, na última quinta-feira, 6 de junho, ativistas sul-coreanos enviaram balões ao Norte com mensagens contrárias ao regime de Kim Jong-un, aumentando ainda mais a tensão entre os países.
A suspensão do acordo de 2018 pelo governo sul-coreano, anunciado em meio a esta nova onda de tensões, permitiu a retomada de atividades militares na região fronteiriça. Este tratado, firmado com a intenção de reduzir a possibilidade de uma escalada militar na península, havia sido um marco na tentativa de normalização das relações entre os dois países que, tecnicamente, ainda estão em guerra desde a década de 1950.
A resposta de Pyongyang ao anúncio da suspensão foi imediata e enérgica, acusando Seul de criar uma "nova crise". A Coreia do Norte, no entanto, já havia congelado a aplicação do acordo em 2023, após o lançamento de um satélite militar, o que demonstra a fragilidade do tratado e a volatilidade das relações inter-coreanas.
Na segunda-feira, 10 de junho, o Exército sul-coreano relatou que mais de 300 balões com lixo foram lançados pelo Norte, embora o vento tenha comprometido a eficácia desta ação. Segundo as Forças Armadas sul-coreanas, os balões continham resíduos de papel e plástico, mas não apresentavam nenhum material tóxico.
O porta-voz do Exército da Coreia do Sul reiterou a complexidade do cenário na DMZ, destacando que a região densamente florestada torna a identificação da linha de fronteira um desafio, o que pode explicar a ocorrência de tais incidentes. No entanto, enfatizou a importância da vigilância contínua para evitar violações que possam resultar em confrontos mais sérios.
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