Israel flexibiliza bloqueio à Faixa de Gaza, mas novos tumultos durante distribuição de ajuda resultam em feridos e caos

Gabriela Thier Publicado em 28/05/2025, às 14h54
Na última quarta-feira (28), Philippe Lazzarini, chefe da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), manifestou forte crítica ao novo modelo de distribuição de ajuda implementado por Israelna Faixa de Gaza, descrevendo-o como uma "distração" indigna. Essa declaração ocorre após uma distribuição de ajuda que resultou em 47 feridos no dia anterior.
Com a marca de 600 dias desde o início do conflito, Lazzarini, que se encontrava em Tóquio, afirmou que a abordagem proposta por Israel e Estados Unidos, que delega a distribuição de ajuda a uma entidade privada, serve apenas para desviar a atenção das graves violações dos direitos humanos ocorrendo na região. "O que presenciamos ontem foi uma cena caótica, indigno e perigoso", destacou.
O chefe da UNRWA alertou sobre a urgência da situação, enfatizando que "o tempo está se esgotando para evitar a fome" e ressaltou a importância do trabalho humanitário: "Os trabalhadores devem ser autorizados a realizar suas atividades para salvar vidas imediatamente." Ele também destacou a expertise da UNRWA em alcançar as comunidades necessitadas. Vale lembrar que Lazzarini é considerado persona non grata em Israel, que o acusou de liderar uma organização supostamente vinculada ao Hamas.
Lazzarini expressou preocupação com o estado atual da população palestina: "Os horrores desta guerra estão sendo transmitidos ao vivo. Ninguém pode alegar ignorância. As atrocidades estão se tornando comuns e toda uma população enfrenta risco iminente de fome, com meio milhão de pessoas já à beira da inanição", declarou.
Segundo ele, o novo sistema de auxílio não respeita os princípios humanitários fundamentais e irá privar muitas pessoas vulneráveis em Gaza do suporte essencial que precisam. Em contraste, uma fonte militar israelense classificou a distribuição como um "sucesso".
Em resposta à pressão internacional, Israel anunciou na semana anterior a flexibilização parcial do bloqueio total imposto à Faixa de Gaza desde 2 de março, ação que foi justificada oficialmente como um meio para forçar o grupo Hamas a liberar os reféns sob seu controle.
Dessa forma, diversos caminhões carregados com ajuda humanitária começaram a ser autorizados a entrar no território devastado pela guerra, enfrentando uma crise humanitária alarmante.
No entanto, o cenário piorou na terça-feira, quando uma nova distribuição realizada pelo centro gerido pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF), apoiada por Israel e Estados Unidos, culminou em um tumulto em Rafah. Milhares de palestinos famintos se aglomeraram no local, resultando em ferimentos para 47 pessoas — muitas delas atingidas por balas disparadas pelas forças israelenses, conforme relatado por Ajith Sunghay, do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos nos Territórios Palestinos Ocupados.
A nova instalação em Rafah foi inaugurada no dia 26 de março pela GHF, escolhida por Israel para gerenciar as operações de ajuda humanitária. Contudo, tanto a ONU quanto outras organizações humanitárias manifestaram sua rejeição ao novo sistema, alegando que ele não atenderá adequadamente às necessidades dos 2,3 milhões de habitantes da região e pode ser utilizado como ferramenta de controle sobre a população.
Além disso, as entidades alertaram sobre o potencial aumento do conflito entre as forças israelenses e civis desesperados por alimentos após quase três meses com fronteiras fechadas. Israel argumenta ter implementado esse novo mecanismo para evitar que o Hamas desvie mantimentos; no entanto, não apresentou evidências concretas desse desvio sistemático. As agências da ONU afirmam ter estabelecido mecanismos adequados para prevenir tal prática.
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