Medida enfrenta forte resistência sindical e pretende alterar férias, jornada de trabalho e indenizações

Lívia Gennari Publicado em 20/02/2026, às 12h18
A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou a reforma trabalhista apresentada pelo governo de Javier Milei, com alterações que eliminaram o artigo que reduzia em 50% salários de trabalhadores que sofressem acidentes fora do trabalho. O texto, que já havia passado pelo Senado na última quinta-feira (12), agora retorna ao Parlamento superior para nova análise.
A votação na Câmara foi apertada: 135 deputados apoiaram a reforma, enquanto 115 se posicionaram contra. O debate se estendeu por mais de dez horas, avançando até a madrugada, e foi marcado por intensos protestos nas ruas, que resultaram em pelo menos 10 prisões em Buenos Aires, segundo a imprensa local. Redes de supermercados, farmácias e comércios permaneceram fechados, e o transporte público operou de forma limitada, refletindo a quarta greve geral contra o governo em apenas dois anos de gestão.
A Confederação Argentina de Trabalhadores criticou a reforma, classificando-a de “regressiva e inconstitucional”.
O que muda com a reforma trabalhista
O governo defende que a reforma ajudará a reduzir a informalidade, que atinge mais de 40% dos trabalhadores, e estimulará a criação de empregos ao diminuir a carga tributária sobre empregadores.
Veja os principais pontos do projeto:
No setor digital, trabalhadores de aplicativos passam a ser reconhecidos formalmente como autônomos, com seguro de proteção específico, enquanto o teletrabalho deixa de seguir exigências adicionais definidas durante a pandemia. O governo também retirou do texto a possibilidade de pagamento de salários em moeda estrangeira ou por carteiras digitais, como as do Mercado Pago, alegando garantias insuficientes.
A reforma é considerada uma das mais amplas mudanças na legislação trabalhista argentina desde a redemocratização, com o objetivo de atualizar regras antigas, reduzir custos para empregadores e incentivar empregos formais.
A expectativa do governo é que a aprovação final do projeto ocorra até 1º de março, consolidando uma das medidas centrais do pacote de reformas econômicas e trabalhistas de Milei.
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