Anúncios contraditórios de autoridades americanas e iranianas aumentam a expectativa sobre o possível fim do conflito

Manoela Cardozo Publicado em 14/06/2026, às 08h00
A possibilidade de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã voltou a ganhar força neste fim de semana após declarações de autoridades dos dois países e de aliados envolvidos nas negociações. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o memorando de entendimento pode ser assinado neste domingo (14), mas representantes iranianos adotaram um discurso mais cauteloso sobre o cronograma.
Segundo Trump, o acordo marcaria o encerramento do conflito que se arrasta há meses no Oriente Médio e estabeleceria mecanismos para impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. O presidente também declarou que a reabertura do Estreito de Ormuz ocorreria imediatamente após a assinatura do documento.
Apesar das declarações otimistas da Casa Branca, o conteúdo oficial do acordo ainda não foi divulgado por nenhuma das partes. Informações publicadas por veículos de imprensa internacionais, com base em fontes ligadas aos governos envolvidos, apontam alguns dos possíveis pontos em discussão.
Entre eles estariam a implementação de um novo cessar-fogo de 60 dias em diferentes frentes do conflito, a reabertura do Estreito de Ormuz, a flexibilização gradual de sanções econômicas impostas ao Irã e compromissos relacionados ao programa nuclear iraniano.
Fontes ligadas ao governo dos Estados Unidos também indicam que o entendimento incluiria medidas para o desmantelamento do programa nuclear iraniano e condicionaria o acesso de Teerã a recursos atualmente congelados ao cumprimento das cláusulas previstas no acordo.
Já a imprensa estatal iraniana sustenta que o país não pretende abrir mão do controle do Estreito de Ormuz nem do direito de enriquecer urânio. Veículos locais afirmam que o entendimento também prevê a suspensão de sanções norte-americanas, a retirada de forças militares dos Estados Unidos da região e o fim das hostilidades em diferentes áreas do conflito.
As dúvidas sobre a data da assinatura aumentaram após declarações do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei. Segundo ele, o memorando não deverá ser assinado neste domingo, embora a formalização do documento nos próximos dias permaneça em discussão.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que os dois países já concordaram com os principais termos do entendimento e declarou que o mundo está mais próximo de um acordo de paz do que em qualquer outro momento recente. Segundo ele, existe a expectativa de uma assinatura eletrônica nas próximas 24 horas, seguida por reuniões técnicas ao longo da próxima semana.
A aproximação entre Washington e Teerã acontece após semanas de forte tensão militar. Mesmo durante períodos de cessar-fogo, Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques, incluindo bombardeios, lançamento de mísseis e ações na região do Estreito de Ormuz.
A expectativa por um acordo ganhou ainda mais força depois que Trump afirmou que negociadores dos dois lados chegaram a um consenso sobre pontos considerados fundamentais para encerrar o conflito. Poucas horas depois, autoridades iranianas passaram a admitir publicamente que um entendimento entre os dois países estaria mais próximo do que nunca.
Apesar do otimismo demonstrado por diversas autoridades, ainda permanecem dúvidas sobre os termos finais do documento e sobre quando a assinatura oficial poderá ocorrer. Enquanto isso, governos e mercados internacionais acompanham com atenção os desdobramentos das negociações, especialmente por causa da importância estratégica do Estreito de Ormuz para o comércio global de petróleo.
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