Rapidamente, a volatilidade espalhou-se para outros mercados na Ásia e Europa

por Marina Milani
Publicado em 05/08/2024, às 08h30
As ações japonesas registraram sua maior perda diária nesta segunda-feira (05), em meio a temores crescentes sobre uma desaceleração econômica nos Estados Unidos, o que gerou um efeito dominó nos mercados globais. O índice Nikkei 225, que reúne as principais ações em Tóquio, despencou 4.451 pontos, marcando a maior queda na história do índice. Com uma queda de mais de 12% no fechamento, o índice entrou em território de mercado de baixa, acumulando perdas de 25% desde o início de julho.
Especialistas do mercado, como Neil Newman, chefe de estratégia da Astris Advisory em Tóquio, compararam o evento à "Segunda-feira Negra" de 1987, quando os mercados globais sofreram quedas dramáticas.
O medo de uma forte desaceleração na economia dos EUA aumentou as expectativas de que o Federal Reserve possa ser forçado a cortar as taxas de juros, ao mesmo tempo em que o Banco do Japão (BOJ) aumenta suas taxas para combater a inflação. Essa combinação está pressionando o iene em relação ao dólar americano, tornando as ações japonesas, especialmente aquelas dependentes de exportações, menos atraentes.
Além disso, as ações de tecnologia enfrentaram dificuldades devido a lucros mistos e um crescente ceticismo entre os investidores sobre o entusiasmo em torno da inteligência artificial.
A volatilidade espalhou-se rapidamente para outros mercados na Ásia e Europa. O índice Stoxx Europe 600, que é referência na região, caiu 2,5% nas primeiras negociações da manhã. Na Ásia, o Taiex de Taiwan e o Kospi da Coreia do Sul caíram mais de 8%, enquanto o S&P/ASX 200 da Austrália perdeu 3,7%.
Uma combinação de fatores contribuiu para essa turbulência, incluindo a desaceleração da economia chinesa, lucros decepcionantes de empresas de tecnologia dos EUA, e a mudança surpreendentemente agressiva do BOJ em relação às taxas de juros. Além disso, dados fracos de empregos nos EUA aumentaram os temores de um enfraquecimento da economia americana, impactando negativamente os mercados globais.
Com o cenário atual, o sentimento do mercado permanece tenso, com investidores em alerta para possíveis novas quedas e movimentos voláteis, à medida que continuam a avaliar as implicações de uma possível recessão nos Estados Unidos e suas repercussões globais.
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