
por Marcus Vinícius de Freitas
Publicado em 19/11/2025, às 08h00
Estamos nos aproximando do centésimo trigésimo quarto aniversário da morte de Dom Pedro II, ocorrida em 5 de dezembro de 1891, em Paris, e é impossível deixar passar esta data sem refletir sobre a grandeza daquele que, com justiça histórica, deve ser reconhecido não apenas como o mais longevo, mas como o mais completo, equilibrado e virtuoso estadista que o Brasil já produziu.
Sua figura ultrapassa a esfera da liderança administrativa: trata-se de um símbolo raro de honra, civilidade, responsabilidade pública, visão estratégica e compromisso ético insuperável com a construção de uma nação moderna, respeitável e ilustrada. Dom Pedro II não precisou de slogans, marqueteiros, propaganda populista ou apropriação demagógica da bandeira nacional para ser respeitado; sua vida, seu silêncio, sua disciplina e seus atos constituíram a melhor campanha de legitimidade que um governante poderia almejar.
A biografia do imperador revela um governante que, ao contrário de tantos que lhe sucederam, jamais confundiu poder com privilégio, nem cargo com benefício pessoal. Sua sobriedade material é amplamente registrada: vestia-se com simplicidade, financiava despesas com recursos próprios, desprezava bajulação, evitava luxos palacianos e, sobretudo, vivia dentro de princípios.
Admirador da ciência, da educação, da história, das letras e da inovação tecnológica, correspondia-se com intelectuais, estadistas e cientistas de renome internacional; visitou laboratórios, incentivou pesquisas, apoiou invenções como o telefone, promoveu instituições culturais e fez do conhecimento o elemento estruturante do projeto nacional. Quatro princípios definiram sua liderança: (1) educação como força motora da civilização; (2) respeito sagrado às instituições e à legalidade; (3) concepção de poder como serviço e não como usufruto; e (4) progresso moral, social e científico como missão de Estado. Nenhum líder brasileiro posterior reuniu esse conjunto de virtudes com igual intensidade, consistência e coerência.
O exílio injusto que lhe foi imposto em 1889, resultado de uma conjunção oportunista, revelou a fragilidade de parte da classe dominante brasileira, demasiadamente inclinada ao corporativismo, ao imediatismo, à vaidade militar e à cegueira estratégica. Dom Pedro II deixou o país sem recorrer à violência, pois acreditava que a missão de um chefe de Estado jamais poderia resultar no derramamento de sangue de seus compatriotas por ambição ou desforra política. Rejeitou propostas de restauração e permaneceu fiel ao Brasil, não ao trono. Sua imagem repousando a cabeça em um travesseiro recheado de terra brasileira, até o último suspiro, sintetiza seu patriotismo: não era apego ao poder, mas amor ao País — amor esse que nenhum decreto ou proclamação poderia substituir.
Sua morte ocorreu de forma discretíssima, quase modesta, em solo estrangeiro — ironia trágica para um soberano que projetou o Brasil no cenário internacional, firmando-o como uma nação civilizada, diplomática, culta e comprometida com o progresso. Sob sua liderança, o Brasil aboliu o tráfico negreiro, consolidou um sistema jurídico estável, garantiu liberdade religiosa, realizou intercâmbio científico e manteve estabilidade institucional em um século latino-americano marcado por golpes, caudilhismo e guerras civis. Sua derrubada não representou fracasso político ou incapacidade administrativa, mas o choque entre o ideal civilizatório e a persistência colonial de setores escravocratas e patrimonialistas, avessos à modernidade e inconformados com a libertação dos escravizados, alguns ainda exigindo indenizações pela perda de pessoas tratadas como patrimônio.
Pergunta-se, com legitimidade e dor histórica: o que o Brasil perdeu com o fim do Império? Perdemos um modelo de Estado com visão de longo prazo, fundado no mérito, na continuidade institucional, na reverência ao conhecimento e na noção de serviço público. Em troca, ingressamos em um ciclo republicano que se tem caracterizado pela intermitência de projetos, pela instabilidade institucional, pela captura ideológica, pelo populismo episódico e pela incapacidade de formular políticas sustentáveis, além do câncer constante da corrupção.
Recordar 5 de dezembro de 1891 não é mero exercício de nostalgia monárquica; é ato de responsabilidade histórica e intelectual. Dom Pedro II não foi um governante perfeito — ninguém o é — mas talvez tenha sido o último cuja bússola política não se norteava pelo interesse próprio, pelas conveniências partidárias ou pelo cálculo eleitoral, e sim pela grandeza moral e civilizatória do Brasil. Por essa razão, e pela gratidão que lhe é devida, permaneço — intelectual, moral e espiritualmente — um fiel servidor de Sua Majestade, o Imperado.

Nova namorada de Manoel Gomes, o Caneta Azul, faz revelação sobre vida íntima do casal

Relembre a Lei Mariana Ferrer, criada após revolta com audiência do caso

Caso Palmeiras: Laudo do IML não aponta lesões corporais, mas Polícia Civil mantém investigação de suposto abuso infantil

Silvia Abravanel anuncia pré-candidatura e disputa vaga na Câmara pelo PSD

Investigado por suposta falsificação de peças de luxo já foi denunciado pelo GAECO em caso de roubo de cargas

Cristiano Ronaldo faz história e Portugal atropela o Uzbequistão na Copa do Mundo

Seleção do Irã pede paz entre nações em carta deixada no vestiário após jogo da Copa

TSE manda apagar posts de integrantes do PT que relacionavam Flávio Bolsonaro ao Comando Vermelho

Ou você faz política ou você faz guerra

"Muito volátil", diz Trump; eleição no Brasil seria seu próximo grande desafio