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Por que Jesus Cristo incomoda tanta gente?

Sermão da Montanha, por Carl Bloch, século XIX - Imagem: Reprodução
Sermão da Montanha, por Carl Bloch, século XIX - Imagem: Reprodução
Marcelo Emerson

por Marcelo Emerson

Publicado em 26/02/2026, às 10h41


Em tempos de discursos apressados e opiniões rasas, duas falas recentes, divulgadas na internet, chamam a atenção não apenas pelo conteúdo, mas pelo alvo comum: a fé cristã.

A primeira partiu de um cantor reduzida de relevância pública, - mas que possui algum espaço no nicho da música pesada - que afirmou: “Nós estamos fazendo a caridade, porque os cristãos não fazem”. A declaração, além de injusta, revela desconhecimento histórico e factual. A caridade organizada no Ocidente tem raízes profundas no cristianismo. Santas Casas de Misericórdia, hospitais filantrópicos, creches, asilos e incontáveis projetos sociais nasceram da atuação de igrejas e comunidades cristãs. Basta lembrar o trabalho permanente da Igreja Católica e de muitas igrejas protestantes, que mantém milhares de obras assistenciais no Brasil e no mundo, atendendo gratuitamente populações vulneráveis.

O fato torna-se ainda mais curioso — e grave — quando se sabe que o próprio cantor já participou de projeto social ligado à Igreja. Ou seja, beneficiou-se diretamente da estrutura de caridade que agora nega existir. A crítica, nesse caso, parece menos uma análise séria e mais uma tentativa de desqualificação retórica.

A segunda fala ocorreu no programa Roda Viva, da TV Cultura. Durante entrevista com a cientista Tatiana Sampaio, referência internacional em pesquisas biomédicas, houve questionamento em tom negativo pelo fato de a cientista mencionar que a laminina — proteína fundamental para a estrutura celular — possui formato semelhante ao de uma cruz. A observação, de natureza descritiva, foi tratada como se carregasse inadequação ou impropriedade.

Desde quando a constatação de uma forma simbólica compromete a ciência? A fé pessoal de um pesquisador invalida sua produção acadêmica? Ao que parece, quando a referência remete ao cristianismo, instala-se um desconforto automático.

Esses episódios revelam algo maior: não se trata de debater práticas ou erros pontuais de cristãos — como existem em qualquer grupo humano —, mas de uma resistência quase reflexa à figura de Cristo e ao que Ele representa. Amor ao próximo, perdão, caridade, dignidade da pessoa humana. Valores que moldaram instituições, leis e a própria ideia de direitos universais

A pergunta que permanece é simples e incômoda: se a mensagem central do cristianismo é amar, servir e respeitar, por que Cristo incomoda tanto?


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