
por Marcelo Emerson
Publicado em 27/02/2025, às 07h51
A história das igrejas cristãs no Brasil nos revela um amplo e diversificado cenário. Desde a Igreja Católica que chegou com os primeiros portugueses até as mais recentes manifestações religiosas de denominações neopentecostais, é possível identificar um arco imenso de práticas, liturgias e doutrinas.
A despeito disso, é urgente fazermos uma reflexão profunda sobre o essencial daquilo que chamamos de cristianismo. Para isso, é necessário voltarmos a atenção para os quatro Evangelhos canônicos.
Vale lembrar a etimologia da palavra Evangelho, que se origina da junção das expressões “eu” (que significa “boa”) e “angelion” (cujo significado é “mensagem”). Evangelho é a Boa Nova trazida por Jesus Cristo e concretizada na vida encarnada do Deus que se fez homem para a salvação de nossas almas.
Como escrevi em outra coluna, muitos dos que hoje atacam a Cristo o fazem com base espantalhos retóricos que não existem nos Evangelhos. Mas, além disso, há a corrupção da figura do Cristo até mesmo por muitos que dizem segui-lo.
Uma das distorções dos ensinos de Cristo dizem respeito ao triunfalismo de certos líderes religiosos, que pregam doutrinas que não se coadunam com as lições do Evangelho, na medida em que afirmam que Deus está a serviço dos humanos para lhes conceder a realização de todos os seus desejos mundanos, como se o Criador fosse um gênio da lâmpada das lendas de Aladin.
É importante reafirmar que a proximidade com Cristo (ou o "ser amigo de Cristo") não nos dá qualquer privilégio, poder político ou ostentação de bens materiais. Da mesma forma, também não é um caderninho de proibições moralistas.
É cada vez mais urgente ressaltar, mesmo em ambientes ditos evangélicos, que cultivar e desenvolver uma comunhão com Jesus nos dá, acima de tudo, a certeza de sua PAZ.
Assim como Ele mesmo nos prometeu: "Deixo a paz a vocês; a minha paz dou a vocês.
Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo".
No mesmo sentido, o Apóstolo Paulo nos asseverou que se trata de uma "paz que excede todo o entendimento".
A paz dessa caminhada com Cristo não nos faz pessoas "mimadas", de modo que não nos livra das provas da vida, pois isso seria condição de enfraquecimento de nossas almas. Não é a paz que nos livra de todas as provações, mas é aquela que nos ampara até mesmo nas provações.
Como o Mestre nos garantiu: "Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso a vocês. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve".
A proximidade com Cristo não é sobre poder político, privilégios e barganhas ou ostentação de bens materiais. Mais que isso, é sobre alcançar paz no meio do caos, da confusão e da perturbação de um mundo que jaz na decadência.
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