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COLUNA

Músicas decadentes formam mentes bestiais

A simplificação das letras musicais reflete a busca por entretenimento imediato e a superficialidade da comunicação atual. - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @UOL
A simplificação das letras musicais reflete a busca por entretenimento imediato e a superficialidade da comunicação atual. - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @UOL
Marcelo Emerson

por Marcelo Emerson

Publicado em 30/01/2025, às 08h46


A música é uma ferramenta muito eficaz para impactar a mente das pessoas. De todas as expressões artísticas, atualmente a música é a que mais contribui para a formação do imaginário popular.

A popularização das redes sociais causou evidente declínio do interesse geral por programas de TV, rádio, literatura e cinema.

Aplicativos e redes sociais se tornam hegemônicos como suportes de interpretação do mundo, de modo que o alcance e o sentido da realidade são compreendidos a partir daquilo que se propaga nas redes sociais.

Há diminuição de espaço, tempo e paciência para a concatenação ampla de ideias veiculadas na forma de filmes, romances ou peças musicais complexas.

Muito se resume a trinta segundos ou um minuto de cortes de vídeos de aplicativos e redes sociais.

Neste contexto, a música ainda provoca satisfação nas multidões, desde que não dure mais que um minuto. Tal forma de entretenimento serve para a pessoa fazer associações com a experiência da vida real.

A estrutura linguística das letras das músicas deve ser simplificada para atender aos requisitos exigidos pela melodia, ritmo e métrica da estrofe, bem como para se amoldar aos padrões comerciais dominantes.

A leitura está em declínio. O desenvolvimento de ideias elaboradas cai em desuso em favor da linguagem simplória adequada para a superficialidade e o imediatismo do conteúdo descartável das redes sociais.

Para adular as multidões, há um reducionismo exagerado, tanto no aspecto sonoro quanto lírico. A base de fãs se expande na mesma medida em que são reduzidas as complexidades musicais e linguísticas.

A música empobrecida acaba sendo o apoio para a intermediação entre a mente das multidões e o mundo real. As mensagens são limitadas a temas que fisgam emocionalmente os ouvintes. O sensacionalismo é a tônica. Temas macabros, nudez feminina ou ostentação de itens de luxo são os objetos preferidos dos poetas pós-pandêmicos.

Geralmente, música não se limita a entretenimento e distração. Ela acaba sendo o fator fundamental para todo um estilo de vida.

No mais das vezes, as experiências vividas pelo ouvinte encontram sentido nas letras das músicas que ouve.

Para a maioria das pessoas, a letra da música sempre é apologética, isto é, não importa se o escritor da letra quis conferir dramaticidade ao eu lírico, utilizando um personagem para criticar algo. Grande parte do público não entenderá o tom crítico e adotará a letra como apologia daquilo que se queria criticar.

Por isso certos estilos musicais são proibidos em clínicas de recuperação de viciados em drogas lícitas ou ilícitas.

A música é a forma de arte que mais facilmente nos leva à idolatria. A dedicação exagerada à música nos leva ao distanciamento da Palavra de Deus ou simplesmente desviando toda a atenção das pessoas.

É razoavelmente comum ver fãs de música que passam a maior parte do dia se dedicando a ouvi-la, afastando-se de momentos de oração e comunhão com Deus. O estudo da Bíblia e a meditação sobre a Palavra de Deus são atividades intrínsecas à vida evangélica. Trata-se de conduta personalíssima do crente, não sendo possível delega-la a quem quer que seja.

Concluo esta coluna com uma frase que é pertinente ao texto. Tal frase é atribuída a Agostinho de Hipona, filósofo da patrística: “quem canta ora duas vezes”.


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