Ministros do STF calculam que processo estará julgado até setembro

Jair Viana Publicado em 26/03/2025, às 16h22
Diferentemente dos cálculos de ministros da Suprema Corte, que acham que o processo que tem Jair Bolsonaro (PL-DF) como réu termina em setembro desse ano, o jurista Alberto Rollo prevê o final do processo só no ano que vem. Rolloo destaca que a complexidade do processo — incluindo perícias em áudios, vídeos e outras mídias, além da oitiva de dezenas de testemunhas — pode prolongar o trâmite até 2026. “Acho difícil terminar este ano. Mesmo com esforço concentrado, a análise técnica demanda tempo, e a instrução envolve definir responsabilidades individuais”, afirmou Rollo.
O jurista ressaltou que, embora o STF tenha afirmado que sua agenda não é influenciada pelo calendário eleitoral, uma eventual condenação em 2025 poderia ser alvo de críticas por coincidir com o ciclo das eleições municipais. Rollo também destacou o volume de provas apresentadas na denúncia, como a “concatenação cronológica de fatos”, que, em sua avaliação, reforça a tese de uma “organização criminosa com objetivo golpista”. “A questão central agora é apurar quem fez o quê: quem liderou, instrumentalizou ou financiou as ações”, explicou, citando trechos do voto da ministra Cármen Lúcia.
Outro ponto levantado por Rollo é a estratégia das defesas, que têm evitado negar os fatos de forma categórica, optando por argumentar que os acusados “não lideraram, não prepararam e não organizaram” as supostas ações ilícitas. “Não há ‘jogo de empurra’ entre os réus. As defesas insistem na inocência individual, deixando a cargo do Ministério Público comprovar autoria e materialidade”, explicou. Para Rollo, essa abordagem explora o ônus da prova, que cabe à acusação, mas não acelera o processo, já que cada réu exigirá análise específica de seu envolvimento.
Enquanto o STF mantém o discurso de que o caso será julgado “quando maduro”, especialistas veem riscos de o prolongamento alimentar debates sobre judicialização da política. Rollo reforça que, independentemente do timing, o processo é um marco na discussão sobre responsabilização por ataques à democracia. “Se houver condenação, será preciso mostrar, de forma cristalina, o papel de cada um. Do contrário, o caso ficará marcado por narrativas polarizadas, em vez de esclarecimentos históricos”, concluiu. A expectativa é que as próximas etapas, como as perícias e os depoimentos, definam o ritmo — e o legado — do julgamento.

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