Fernando Maskobi - Executivo de finanças vivendo no Vale do Silício e apoiador do Capitalismo Consciente.

Redação Publicado em 06/02/2020, às 00h00 - Atualizado às 12h37
A diversidade aqui no Vale do Silício está literalmente a cada
esquina. Sou Brasileiro e sequer me sinto um estrangeiro. Não à toa,
aqui é um dos principais pólos de criação e inovação do mundo
atraindo mentes incríveis em meio ao boom tech que estamos vivendo.
Se analisarmos, a inovação e criatividade surge da habilidade e
capacidade de nos expressarmos. Estamos constantemente pensando, logo
estamos criando. Dentre inúmeras variáveis que levam ao sucesso,
bancar a nossa própria história e ideia pode ser uma das coisas mais
desafiadoras da vida. Seja pela coragem de expressão e/ ou pela
própria viabilização econômica de tirar uma ideia do papel; claro,
sem falar de aspectos burocráticos.
Reflita quantas vezes deixamos de nos expor por medo de ser julgado. A
quantidade de padroes que temos que seguir e inversamente proporcional a
manifestação de novas ideias. Simplesmente porque a inovação e
criatividade rompem tradições. Agora, imagina viver num espaço onde o
olhar para o “diferente” seja mais valorizado e menos julgado?
É nessa fusão entre espaço acolhedor e recursos que a inovação
pulsa. É isso que enxergo acontecer aqui no Vale. Pessoas de diferentes
etnias e backgrounds coexistindo e trocando a partir de uma
configuração diferente de valores. Vejo que a necessidade de
impressionar o outro pela matéria e aparências é menor, ao passo que
o valor que é dado para a criação e expressão é bem maior. Sem
entrar no que e certo ou errado, pois isso e relativo, mas de uma forma
geral, percebo que aqui valoriza-se mais quem você é do que o que
você tem.
Inevitavelmente esse contexto me faz refletir sobre quantos talentos e
ideias são desperdiçados no Brasil por vivermos ainda numa sociedade
conservadora onde estamos constantemente tentando nos encaixar. Imaginem
se as oportunidades fossem mais justas e o convívio com as diferenças
fosse mais prazeroso? Temos inumeros povos, raças e culturas e
religiões, mas sinto que os projetos que ganham vozes ainda permeiam
sempre ao redor dos mesmos grupos.
Difícil pensar em inovação com tanta separação. Entendo que o país
está tentando impulsionar uma agenda econômica mais inovativa mas,
não dá para deixar de comentar que, de nada adianta termos um país
extremamente diverso onde apenas um pequeno recorte social possui acesso
às ferramentas e consegue de fato se expressar. É como ter uma garagem
com carros de diversas cores e modelos onde apenas meia dúzia sabe
dirigir e ainda dirige sempre os mesmos carros.
Como incluímos e conseguimos apoiar aquilo que sai da nossa referência
de normal? Como conectar e alavancar os diversos mundos que existem
dentro do Brasil? Podemos pensar em globalização, acordos
internacionais, etc, mas, no final do dia, apenas nós, Brasileiros,
conseguiremos organizar e reinventar a nossa própria casa.
Fernando Maskobi – Executivo de finanças vivendo no Vale do Silício e apoiador do Capitalismo Consciente.

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