Diário de São Paulo
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De Olho na Cidade, por Fábio Behrend

Os campeões de votos que não serão candidatos e o incêndio no Pateo do Colégio

Paulo Batista dos Reis, Alaide Costa e João Ananias (PT). - Imagem: Divulgação
Paulo Batista dos Reis, Alaide Costa e João Ananias (PT). - Imagem: Divulgação
Fábio Behrend

por Fábio Behrend

Publicado em 14/11/2025, às 08h12


Votos que voam

Pelo menos 10 campeões de votos que foram eleitos deputados federais em 2022 não serão candidatos no ano que vem. Com isso, 4,5 milhões de votos podem ser distribuídos entre candidatos novatos, experientes, com ou sem mandato. A lista inclui nomes como Guilherme Boulos, que deve ser candidato a governador, Carla Zambelli, que está presa na Itália, Eduardo Bolsonaro, auto exilado nos Estados Unidos, Guilherme Derrite, que vai tentar vaga no Senado, Rosângela Moro, que vai sair pelo Paraná, Tiririca, que se mudou para o Ceará, Pablo Marçal, inelegível, Arnaldo Jardim e Simone Marquetto, que anunciaram que não vão disputar a eleição no ano que vem e Alexandre Padilha, que pretende continuar ministro de Lula. A lista pode ser ainda maior, caso Luiza Erundina decida se aposentar e Ricardo Sales consiga se viabilizar candidato ao Senado.

Quem ganha e quem perde

Os mais de 1 milhão de votos de Boulos devem ficar no PSOL, em candidatos apoiados por ele, mas principalmente com Erika Hilton. E se o professor de história e influenciador Jones Manoel, de Pernambuco, filiar-se ao partido e mudar-se para São Paulo, a bancada do PSOL, de 7 deputados, pode chegar a 14. Já o atual dono da maior bancada de deputados federais paulistas, o PL, pode encolher de 18 para até 9 ou 10 parlamentares. Isso porque Zambelli, Eduardo, Derrite e Sales conquistaram juntos mais de 2,5 milhões de votos. As previsões são as primeiras sobre a eleição do ano que vem realizadas pelo “calculador de bancadas”, Maurício Martins, um craque no assunto.

Repúdio

A direção do Pateo do Collegio publicou em suas redes sociais uma nota de “indignação e repúdio” endereçada a Enel. O texto acusa funcionários da empresa que realizavam manutenção na rede elétrica na última terça-feira de cometerem um erro que teria causado “um princípio de incêndio elétrico que pôs em risco o patrimônio histórico e artístico da origem de nossa cidade”.

Penitência

O tom da nota dos padres foi duríssimo com a Enel. “Não fossem os esforços de nossas equipes internas, o berço da cidade de São Paulo, juntamente com todo o seu acervo, estaria hoje restrito a cinzas. O patrimônio material e humano é colocado à prova pela incapacidade e inoperância de uma operadora que onera a todos os cidadãos, diuturnamente”.

Cobrança

A direção do Pateo do Collegio também cobrou providências das autoridades e marcou na publicação, além da Enel, a subprefeitura da Sé, a prefeitura, o prefeito, o governo do estado e o governador. Ricardo Nunes, que trava uma batalha para não renovar o contrato com a operadora, teve seu comentário fixado na publicação do Instagram. “Absurdo o péssimo serviço que a ENEL presta. Por ser uma concessão do governo federal a Prefeitura de São Paulo ingressou com Ação judicial solicitando que a concessão não seja renovada pelo governo federal”, escreveu o prefeito.

Portas fechadas

A nota também relata as frequentes quedas de energia, “que vem causando transtornos e prejuízos ao Pateo do Collegio”.4,5 Quando falta luz a direção do complexo tem que fechar as portas e suspender a programação da Igreja São José de Anchieta, do Museu Anchieta e da Biblioteca Pe. Antonio Vieira.

Leveza e elegância visceral

Alaíde Costa vai fazer 90 anos e foi homenageada na Câmara Municipal de São Paulo. Carioca radicada há 40 anos na cidade, a diva que atravessou toda a história moderna da música brasileira agora é cidadã paulistana. Disposta, lúcida e bem humorada, Alaíde estava radiante ao receber a honraria, oferecida por iniciativa do vereador João Ananias, do PT. “Tudo o que eu conquistei artisticamente foi São Paulo que me deu. Eu nem tenho palavras para traduzir o que eu estou sentindo. É muito gratificante”, disse a cantora e compositora. O VJ Zé Pedro, amigo de Alaíde, usou apenas uma palavra para descrevê-la: “resistência”. Já o compositor José Miguel Wisnik afirmou “Alaíde é ao mesmo tempo “cool” e visceral. Duas características que não se encontram com frequência numa personalidade artística”. Ao me encontrar com Alaíde, prestei reverência e, claro, pedi pra tirar uma foto.

Contato: [email protected]


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