União exige devolução de áreas ocupadas irregularmente no Guarujá, enquanto CPIs em São Paulo acumulam impasses e controvérsias políticas

Redação Publicado em 22/05/2026, às 10h01
As 12 mansões...
...à beira-mar na Praia de Pernambuco, no Guarujá, que são alvo há mais de uma década de um processo movido pela Secretaria de Patrimônio da União, terão que “devolver” parte de seus terrenos “pé na areia” para o uso comum de qualquer cidadão. Um TAC foi assinado entre União, MP e Prefeitura, e os proprietários começaram a ser notificados esta semana. Na média, cada um deles “incorporou” cerca de 1.000 m² às suas propriedades de maneira “escandalosamente irregular”, segundo o processo. Prefeitura e MP querem que eles também paguem os custos da demolição das muretas e da urbanização da área. Das 12 casas, pelo menos cinco têm piscinas construídas nas áreas “griladas”.
Coercitivas
Quatro empresários que compraram TDCs do Jockey Club e recusaram sistematicamente os convites da CPI para prestar esclarecimento estão agora formalmente intimados a depor. Se não comparecerem, Cristina Baumgart (Brock Empreendimentos), Fernando José Moniz de Câmara (Partifib Projetos Imobiliários), José Emílio Pessanha (Nova Paulista Empreendimentos) e Roberto Cavalieri Perroni (BPG Mofarrej Empreendimentos) terão decretadas suas conduções coercitivas, sendo levados pela polícia para prestar depoimento. “Essas empresas estão muito mal assessoradas”, comentou uma colega jornalista.
Como assim?
Quem acompanha os trabalhos da CPI já entendeu que, em relação aos TDCs, os vereadores querem saber duas coisas: o que o Jockey fez com o dinheiro arrecadado, óbvio, e como as empresas compraram os TDCs, se diretamente do Jockey ou através de intermediários que atuam como corretores. Lembrando que o TDC é ferramenta defendida por empresários, arquitetos, historiadores e gestores públicos, por possibilitar a conservação e manutenção de imóveis tombados e atender o mercado imobiliário de maneira mais econômica que as outorgas onerosas. O relator da comissão, Carlos Bezerra Jr. (PSD), disse que ninguém entendeu por que os empresários não aceitaram colaborar, já que não são investigados. “No momento em que eles se recusam a dar transparência a essa compra (dos TDCs), eles trazem para si mesmos uma nuvem de suspeitas”, afirmou.
Na mira
Tanto Carlos Bezerra quanto o presidente da CPI, Gilberto Nascimento (PL), me afirmaram que será inevitável a convocação do empresário Benjamim Steinbruch, que presidiu o Jockey Club entre 2017 e 2024, para prestar esclarecimentos. “No momento oportuno”, afirmou o presidente.
HIS
A CPI das Habitações de Interesse Social, encerrada terça-feira, conseguiu desagradar a todos. Ninguém foi indiciado e o relatório final ainda pediu o fim dos incentivos da prefeitura para moradias populares no centro expandido. Criados para ajudar a trazer novos moradores para a região, os incentivos estão cumprindo seu papel de ajudar na revitalização do centro. Na prefeitura, é dado como certo que eles continuam, podendo ser ampliados.
Porque tão cedo?
“Estão passando pano em quem fraudou a cidade”, disse a vereadora Silvia da Bancada Feminista. Nem alguns vereadores da situação que não participaram da comissão entenderam o fim antecipado da CPI, muito menos a Justiça. Sobrou para a Câmara, que vai ter que explicar até segunda-feira ao juiz Evandro Carlos de Oliveira, da 7ª Vara da Fazenda Pública, por que os trabalhos da comissão foram encerrados prematuramente.
Ainda o soco na cara
Presidente da CPI encerrada, Rubinho Nunes (União Brasil) me procurou para comentar a nota da semana passada sobre o soco que levou de um manifestante na Praça da República, em frente à Secretaria da Educação. “Poxa vida, você faltou com a verdade, inverteu a ordem dos fatos”. Rubinho confirma que trocou provocações, xingamentos e empurrões com os manifestantes, mas afirma que só perseguiu e chutou um manifestante caído no chão depois de levar um soco na cara, não antes, como publiquei. “Chutei mesmo, estávamos apanhando”. Fica esclarecida, na versão do vereador, a ordem dos fatos. Episódio injustificável e lamentável, como escrevi semana passada.
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