Proposta depende de transformação em SAF e divide dirigentes.

Jorge Simonsen Publicado em 11/12/2025, às 16h46
O empresário Diego Fernandes afirma ter recebido sinal positivo de investidores estrangeiros e de famílias ligadas ao São Paulo para participar de um eventual projeto de SAF no clube. A ideia, porém, ainda encontra forte resistência interna e é vista com ceticismo no Conselho Deliberativo.
Fernandes está nos Emirados Árabes Unidos há duas semanas em compromissos do mercado financeiro e aproveitou a viagem para apresentar o São Paulo a possíveis parceiros. Em Dubai, entregou uma camisa do clube a Khalfan Belhoul, diretor-executivo da Dubai Future Foundation, entidade que atua no desenvolvimento de projetos estratégicos na cidade. O empresário, entretanto, não revela quem seriam os investidores interessados.
Segundo ele, o interesse existe, mas depende de uma condição central: uma mudança estrutural no estatuto que permita ao São Paulo migrar para o modelo de SAF. Essa é a proposta que Fernandes tem defendido em conversas com grupos políticos e conselheiros nas últimas semanas.
O empresário afirma que pretende participar financeiramente do projeto caso avance, mas diz não ter interesse em ocupar cargos no clube. Segundo ele, a função seria apenas aproximar o São Paulo de investidores e auxiliar na captação de recursos.
Fernandes ganhou notoriedade no futebol por intermediar a contratação de Carlo Ancelotti pela Seleção Brasileira. Depois disso, aproximou-se de dirigentes e empresários ligados ao São Paulo para estudar alternativas ao cenário financeiro do clube, que convive com dívidas altas, elenco enxuto e dificuldade para competir no mercado.
No Morumbi, porém, o discurso encontra pouca adesão. Conselheiros e dirigentes veem o movimento com reserva e apontam que a transformação em SAF esbarra na forte resistência histórica da política interna são-paulina. A percepção é de que o clube não está disposto a avançar rapidamente em mudanças desse tipo.
O ceticismo aumentou após o Conselho bloquear recentemente uma proposta do presidente Julio Casares para criação de um fundo que passaria a deter parte dos direitos de atletas formados em Cotia. A iniciativa, considerada menos radical do que uma SAF, não foi adiante.
Fernandes defende que o clube precisa reagir com urgência diante do cenário financeiro. O empresário argumenta que a dívida próxima de R$ 1 bilhão limita contratações e força vendas rápidas e baratas de atletas formados na base, além de deixar o São Paulo exposto esportivamente. Segundo ele, a intenção não é criar pânico, mas estimular mudanças.

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