Mais de meio milhão de visualizações, compartilhamentos, comentários, repostagem, até de gente famosa. Como de Gilberto Gil.

Redação Publicado em 19/07/2021, às 00h00 - Atualizado às 08h05
Ela não lembra só por lembrar.
– O horário: foi antes de 6 horas da manhã, no dia 17 de janeiro de 95.
– Começo a ouvir grito, né, de horror, e as pessoas gritando.
– Quando a gente viu o trem caindo, a rua tudo derrubada, a gente percebeu: é terremoto.
Nas Olimpíadas, a busca é por grandes personagens. Só que, antes dos atletas, surgiu uma história em que a protagonista estava logo nos bastidores. Esta japonesa. Ou será que pode chamar de brasileira?
Mako Tanaka é a tradutora contratada para acompanhar uma das equipes da TV Globo em Tóquio. Só que entre uma gravação e outra, para surpresa de todos. Mako começou a cantarolar músicas brasileiras. Em japonês. De brincadeira, o repórter da Tv Globo André Gallindo fez um vídeo e publicou nas redes sociais. Mako canta “Qui nem jiló”, de Luiz Gonzaga, em japonês. E viraliza.
– Como é que é? Viralizou, é isso, viralizou – diz, surpresa, Mako.
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Mako Tanaka toca caixa no Mulheres de Chico, bloco do Carnaval carioca — Foto: Arquivo pessoal
Mais de meio milhão de visualizações, compartilhamentos, comentários, repostagem, até de gente famosa. Como de Gilberto Gil.
– Sério? Ah, não, mentira, mentira, eu sou muito fã – responde Mako.
– Gonzaga no Japão. O baião é uma marca brasileira importante – afirma Gil em vídeo.
– É realmente fantástico você ver ouvir uma japonesa cantando Luiz Gonzaga do outro lado do mundo – completa Elba Ramalho.
Mas não é apenas esse baião lançado em 1950 que está no repertório dessa japonesa. Mako nasceu e viveu em Kobe, no Japão. Até pouco tempo depois de a cidade sofrer o grave terremoto que matou 6 mil pessoas. Depois de sobreviver, ela decidiu mudar.
– Porque eu ganhei a outra vida eu quero viver, de uma outra forma, de um outro jeito – explica Mako.

Mako Tanaka também é cantora — Foto: Arquivo pessoal
Em outro país. De preferência sem terremotos e cheio de ritmos. Descobriu o Brasil.
– Eu não tinha coragem, não, é mas assim, naquele dia realmente eu ganhei coragem, eu vou, eu vou encarar – recorda a cantora japonesa.
O Rio de Janeiro foi o destino escolhido. E sem falar português, encarou a mudança.
– Não falava nada, nada. Zero, zero. Sabia cantar as músicas em português. Mas cantava tudo errado, tudo errado – brinca Mako.

Mako Tanaka tocando tamborim no Brasil — Foto: Arquivo pessoal
Aprendeu do idioma à percussão. Passou a integrar um grupo musical, que toca a obra de Chico Buarque. E passou a fazer versões de clássicos brasileiros em japonês. Agora, ela volta ao Japão trazendo o que aprendeu morando vinte anos no país das últimas Olimpíadas.
– Vocês, o povo brasileiro, me passaram, me ensinaram tudo: é divertir viver de verdade – conclui Mako.
Ao fim dos Jogos, ela voltará ao Brasil. Mas sempre que bater saudade, ela já sabe, o remédio é cantar.

Mako Tanaka no Rio de Janeiro — Foto: Arquivo pessoal
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Fontes: Ge – Globo Esporte.
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