Organização que monitora casos de discriminação no futebol afirma que sinal pode estar associado a grupos extremistas

Julio Cezar Souza Publicado em 15/06/2026, às 10h04
Uma nova controvérsia fora das quatro linhas passou a movimentar os bastidores da Copa do Mundo de 2026. A Fifa enfrenta questionamentos após a exibição de imagens que mostram um integrante da equipe de arbitragem de vídeo realizando um gesto interpretado por especialistas como semelhante a um símbolo utilizado por grupos extremistas.
O episódio ocorreu antes da partida entre Alemanha e Curaçao, disputada em Houston. Durante a transmissão oficial, as câmeras mostraram o centro de operações do VAR, instalado em Dallas, onde profissionais acompanhavam as imagens e a preparação para a partida.
Entre os integrantes exibidos estava o australiano Shaun Evans, um dos árbitros de vídeo escalados para atuar no torneio. Nas imagens, ele aparece fazendo com a mão o gesto popularmente conhecido como sinal de "OK", formado pela união do polegar e do indicador, enquanto os demais dedos permanecem estendidos.
A repercussão ganhou força porque o gesto foi realizado abaixo da cintura e em uma posição que, segundo especialistas, se assemelha à forma como determinados grupos de extrema direita passaram a utilizá-lo nos últimos anos.
A principal reação veio da Fare, entidade internacional que trabalha em conjunto com organizações do futebol no monitoramento de casos de racismo, discriminação e discurso de ódio. Em comunicado, a organização afirmou que especialistas consultados identificaram semelhanças entre o gesto realizado pelo árbitro e símbolos apropriados por movimentos supremacistas brancos.
Segundo a entidade, a situação merece atenção e análise por parte das autoridades responsáveis pela competição. A Fare também defendeu que o profissional não continue exercendo funções no torneio enquanto o caso é avaliado.
O episódio abriu um novo debate sobre símbolos ambíguos e seus diferentes significados em contextos distintos. Embora o gesto seja amplamente utilizado em diversas partes do mundo como sinal de aprovação ou concordância, organizações dedicadas ao combate ao extremismo alertam que ele também foi adotado por grupos radicais em determinadas circunstâncias.
Até o momento, a Fifa não havia divulgado um posicionamento oficial sobre o caso nem informado se pretende abrir algum procedimento para apurar a situação.
A discussão ocorre em um momento em que a entidade tem reforçado campanhas contra o racismo, a discriminação e outras formas de intolerância, temas que ocupam posição central nas políticas institucionais implementadas nas últimas competições internacionais.
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