Diário de São Paulo
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Crise Institucional

Conselho do São Paulo aprova impeachment de Júlio Casares

Decisão do Conselho Deliberativo encerra gestão conturbada de Casares após denúncias de irregularidades e escândalos financeiros.

Após uma série de denuncias e irregularidades, Júlio Casares é afastado do cargo - Imagem: Reprodução/Metrópoles
Após uma série de denuncias e irregularidades, Júlio Casares é afastado do cargo - Imagem: Reprodução/Metrópoles

Otávio Alonso Publicado em 16/01/2026, às 17h46


O presidente do São Paulo Futebol Clube, Julio Casares, foi afastado preventivamente do cargo após o Conselho Deliberativo aprovar, nesta sexta-feira, o pedido de impeachment contra o dirigente. A decisão foi tomada em reunião híbrida realizada no estádio do Morumbis, com participação presencial e remota dos conselheiros.

Ao todo, 188 conselheiros votaram a favor do impeachment, 45 se posicionaram contra e dois votaram em branco. O número superou com folga o quórum mínimo exigido pelo estatuto do clube, que previa 170 votos favoráveis, o equivalente a dois terços dos 254 conselheiros.

Julio Casares na votação do impeachment no São Paulo — Foto: ge.globo

Com o afastamento imediato de Casares, a presidência do São Paulo passa a ser ocupada por Harry Massis Júnior, primeiro vice-presidente do clube. Empresário do ramo hoteleiro e proprietário de uma rede de estacionamentos na capital paulista, Massis tem 80 anos, é sócio do clube há 61 anos e ocupa cargos na diretoria desde 2021.

Em seu primeiro pronunciamento como presidente interino, Massis afirmou que assume o cargo em um momento delicado, pediu responsabilidade institucional e admitiu o peso da situação.

“Hoje não é um dia simples para o nosso clube. É um dia de responsabilidade. Assumo a presidência com muito respeito à história dessa instituição e, principalmente, à torcida, que é o nosso maior patrimônio. O clube vai continuar competindo e honrando sua camisa. O compromisso é cuidar da instituição, agir com responsabilidade e transparência. Não é hora de julgamentos precipitados. Estou triste. Não era isso que eu queria. O São Paulo não merece o que aconteceu. Nunca gostaria de ter assumido dessa forma,” afirmou.

Próximos passos do processo

Derrotado no Conselho Deliberativo, Julio Casares permanece afastado da presidência até a realização da Assembleia Geral dos Sócios, última etapa do processo de impeachment. A votação deve ocorrer em até 30 dias.

Caso os associados confirmem a destituição, Casares perderá definitivamente o restante do mandato, que iria até o fim de 2026. Ainda assim, permanecerá como associado do clube e poderá concorrer a outros cargos em eleições futuras. Se o impeachment for rejeitado na Assembleia, ele retorna imediatamente à presidência.

A votação desta sexta-feira ocorreu de forma secreta. Dos 223 conselheiros que participaram da sessão, 168 estiveram presencialmente no Morumbis e 55 votaram de forma online.

Protestos da torcida

A reunião também foi marcada por protestos de torcedores nos arredores da sede social do clube. Organizadas do São Paulo se mobilizaram para pressionar pela saída de Casares e criticaram a atual gestão.

Protesto da torcida do São Paulo antes da votação do impeachment de Casares — Imagem: Ingrid Gonzaga

Além do ex-presidente, também foram alvos dos protestos Mara Casares, ex-diretora e ex-esposa do dirigente, e Douglas Schwartzmann, ex-diretor adjunto das categorias de base.


Entenda os motivos do impeachment de Julio Casares

A decisão do Conselho Deliberativo foi embasada em uma série de denúncias que levantaram suspeitas sobre irregularidades administrativas, financeiras e de governança no clube.

Escândalo dos camarotes

O estopim da crise foi o vazamento de um áudio, em dezembro, que indicaria um suposto esquema de venda irregular de ingressos do camarote presidencial durante um show da cantora Shakira, realizado no Morumbis em março do ano passado.

No áudio, Douglas Schwartzmann teria admitido ganhos financeiros com a prática, em conjunto com Mara Casares. A empresária Adriana Prado, apontada como pivô do caso, teria comercializado o material para oposicionistas do então presidente, o que levou à abertura do processo de impeachment.

Depósitos em dinheiro vivo

Outro ponto central foi um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou depósitos em dinheiro vivo que somam R$ 1,5 milhão na conta pessoal de Casares, realizados entre janeiro de 2023 e maio de 2025.

A movimentação levantou questionamentos sobre a origem dos recursos e reforçou as acusações de irregularidades.

Acusações de má gestão

Também pesaram contra o ex-presidente decisões administrativas consideradas controversas, como o orçamento de cerca de R$ 3 milhões destinado à festa junina do clube, citado como exemplo de má gestão dos recursos.

O conjunto desses fatores levou o Conselho Deliberativo a aprovar o afastamento do dirigente.


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