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Futebol

Casares renuncia à presidência do São Paulo

Vice-presidente Harry Massis assume até o fim do mandato em dezembro de 2026

Dirigente deixou o cargo em meio a processo de impeachment e denúncias na gestão. - Imagem: Reprodução/saopaulofc.net.
Dirigente deixou o cargo em meio a processo de impeachment e denúncias na gestão. - Imagem: Reprodução/saopaulofc.net.

Erika Osti Publicado em 21/01/2026, às 18h01


O presidente do São Paulo Futebol Clube, Júlio Casares, anunciou nesta quarta-feira (21) sua renúncia ao cargo em meio a uma profunda crise política e institucional no clube. A decisão foi comunicada após a derrota de Casares em votação no Conselho Deliberativo e no contexto de um processo de impeachment que se aproximava de uma assembleia de sócios. Com a saída, o vice-presidente Harry Massis Júnior, de 80 anos, assume a presidência do Tricolor até o fim do mandato, em dezembro de 2026, em um período marcado por desafios administrativos e esportivos.

A renúncia foi formalizada em uma carta publicada pelas redes sociais de Casares e anunciada à comunidade são-paulina horas depois de o Conselho Deliberativo aprovar um requerimento que encaminhava o impeachment. Na votação realizada na última sexta-feira (16), 188 conselheiros se manifestaram a favor da abertura do processo de destituição, contra 45 votos contrários e duas abstenções.

Casares estava enfrentando forte desgaste interno há meses, com críticas à sua gestão e cobranças por parte de grupos de oposição, conselheiros e até torcedores organizados. Em dezembro, integrantes das principais torcidas pediram publicamente sua saída, e um grupo de sócios chegou a solicitar a retirada do nome de espaços sociais do clube que homenageavam o dirigente.

As acusações contra a gestão de Casares envolvem uma série de denúncias que ganharam repercussão na imprensa e motivaram investigações da Polícia Civil e do Ministério Público. Entre os pontos apurados estão supostas operações financeiras suspeitas, com depósitos em dinheiro vivo que somam cerca de R$ 1,5 milhão, levantados em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), além de questionamentos sobre a venda de atletas por valores considerados abaixo do mercado e o uso irregular de camarotes no estádio do Morumbi.

Na carta em que comunicou a renúncia, Casares citou a crise interna que teria comprometido a governança do clube e argumentou que a situação extrapolou as instâncias institucionais, afetando sua vida pessoal e familiar. A posição foi interpretada por aliados como uma tentativa de evitar o desgaste adicional que uma assembleia de sócios poderia trazer, incluindo a possibilidade de perda de direitos políticos no clube caso o impeachment fosse confirmado.

Com a saída de Casares, Harry Massis Júnior retoma o comando do São Paulo em um momento em que o clube ainda precisa recuperar estabilidade interna e foco no futebol. Massis já ocupava o cargo de vice-presidente desde 2021 e tem longa trajetória de envolvimento com as atividades administrativas do Tricolor. A nova gestão interina tem a missão de pacificar a política interna do clube, acompanhar o desempenho das equipes e organizar o calendário até as eleições do próximo período.

O ambiente no São Paulo agora se volta para a necessidade de reconstrução de confiança entre dirigentes, conselheiros, sócios e torcedores, enquanto os desdobramentos do processo que envolveu Casares ainda devem ser tema de discussões e possíveis desdobramentos ao longo dos próximos meses.


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