Clube multou Gustavo Marques e afastou o atleta depois de declarações discriminatórias sobre a árbitra Daiane Muniz

Lívia Gennari Publicado em 23/02/2026, às 17h15 - Atualizado às 18h28
O Red Bull Bragantino anunciou nesta segunda-feira (23) que aplicará uma punição disciplinar ao zagueiro Gustavo Marques após as declarações machistas feitas pelo jogador contra a árbitra Daiane Muniz no último sábado (21), logo após a eliminação da equipe para o São Paulo nas quartas de final do Campeonato Paulista.
De acordo com o clube, o defensor terá 50% do salário descontado e não será relacionado para o confronto desta quarta-feira (24) contra o Athletico-PR, pelo Brasileirão. A multa será integralmente destinada à ONG Rendar, que apoia mulheres em situação de vulnerabilidade na região de Bragança Paulista. A direção afirmou ainda que reforçará ações educativas internas voltadas ao combate ao preconceito.
O que aconteceu
Após a derrota por 2 a 1, Marques criticou publicamente a atuação de Daiane, insinuando que partidas de grande porte não deveriam ser apitadas por mulheres:
"Não adianta a gente jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians e colocarem uma mulher para arbitrar um jogo deste tamanho. Acho que ela não foi honesta pelo o que fez", afirmou o zagueiro.
A declaração gerou forte repercussão negativa no ambiente esportivo e fora dele. Minutos depois, ainda no estádio, o atleta foi levado pelo diretor esportivo Diego Cerri ao vestiário da arbitragem para pedir desculpas pessoalmente.
Em comunicado divulgado nas redes sociais, o Bragantino afirmou repudiar “qualquer manifestação machista” e pediu desculpas à árbitra e a todas as mulheres. O clube destacou que a frustração pela eliminação não justifica ataques discriminatórios e reiterou seu compromisso com um ambiente seguro e inclusivo.
Repercussão negativa
Gustavo Marques ainda fez apontamentos à Federção Paulista de Futebol (FPF):
"Eu acho que a Federação Paulista tem que olhar para os jogos desse tamanho e não colocar uma mulher. Todo respeito às mulheres do mundo. Eu sou casado, eu tenho minha mãe, então desculpa se estou falando alguma coisa para as mulheres", concluiu.
A FPF se manifestou, classificando as declarações como “primitivas, preconceituosas e incompatíveis com os valores do futebol”. A entidade reforçou o histórico e a qualificação de Daiane, que integra os quadros FPF, CBF e FIFA, e informou que enviará o caso para análise das instâncias disciplinares competentes.
Horas depois das falas iniciais, Gustavo Marques voltou a se desculpar publicamente, afirmando que agiu “de cabeça quente” e que foi repreendido por familiares. O zagueiro reconheceu o erro e pediu perdão não apenas à árbitra, mas a todas as mulheres.
“Quero vir a público pedir perdão a todas as mulheres pela minha fala. Sou um ser humano, e todo ser humano erra. Eu estava de cabeça quente, nervoso, e falei coisas que não deveria. Errei de ter falado e estou aqui para pedir perdão. Até a minha mulher e minha mãe me xingaram pela fala. Fui até a Daiane, pedi perdão. Ela estava com uma assistente e também pedi perdão a ela”, afirmou Gustavo.
A repercussão do caso ultrapassou o ambiente futebolístico. Os Ministério das Mulheres e Ministério do Esporte emitiram nota conjunta condenando as falas do jogador, ressaltando que o respeito às mulheres “é inegociável” e que elas têm pleno direito de ocupar qualquer espaço no esporte. As pastas também informaram que acompanharão os desdobramentos na Justiça Desportiva.
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