Canal comandado por Casimiro Miguel adota modelo mais conservador para anúncios de casas de apostas após críticas do público e abertura de investigação preliminar da Secretaria Nacional do Consumidor.

Ana Beatriz Publicado em 26/06/2026, às 15h40
A CazéTV alterou sua abordagem de publicidade para casas de apostas durante a Copa do Mundo de 2026, em resposta a críticas nas redes sociais e a uma investigação da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). Essa mudança visa adotar um modelo mais conservador, preservando o estilo descontraído apenas para outros anunciantes.
A Senacon investiga se campanhas publicitárias exibidas durante a Copa infringiram normas do Código de Defesa do Consumidor, analisando episódios em que narradores e comentaristas promoviam apostas, o que poderia ter incentivado o público a apostar imediatamente.
A CazéTV afirmou que suas campanhas seguem a legislação brasileira e que está disposta a aprimorar seus processos em relação à publicidade de apostas, enquanto a investigação da Senacon continua para determinar se haverá um processo administrativo sancionador.
A CazéTV anunciou uma mudança na forma de exibir publicidade de casas de apostas esportivas durante as transmissões da Copa do Mundo de 2026. A decisão foi tomada após uma onda de críticas nas redes sociais e a abertura de uma investigação preliminar pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Em comunicado enviado à CNN Brasil, a empresa afirmou que as ações publicitárias das operadoras de apostas passarão a seguir um modelo mais tradicional. Segundo a CazéTV, o objetivo é adotar um padrão mais específico e conservador para esse segmento, preservando o estilo descontraído da emissora apenas para os demais anunciantes.
A mudança representa uma alteração significativa na estratégia comercial do canal, que ficou conhecido por integrar patrocinadores à linguagem da transmissão. Até então, narradores e comentaristas participavam de ações promocionais de bets durante os jogos, em formatos que buscavam aproximar a publicidade do conteúdo editorial.
O que motivou a investigação
A Senacon instaurou uma averiguação preliminar para apurar se determinadas campanhas exibidas durante a Copa podem ter infringido normas do Código de Defesa do Consumidor e da regulamentação sobre publicidade de apostas esportivas. A investigação ainda está em fase inicial e não significa que houve infração confirmada.
Segundo o despacho do órgão, foram analisados ao menos três episódios ocorridos durante transmissões da Copa do Mundo.
Em um deles, durante a partida entre Inglaterra e Gana, o narrador incentivava o público a acessar o site de uma operadora de apostas por meio de um QR Code exibido na tela, acompanhado de uma promoção exclusiva.
Outro episódio ocorreu durante Argentina e Áustria, quando comentaristas divulgaram uma promoção de "odds turbinadas" e destacaram uma chamada "segunda chance" oferecida pela plataforma, o que, na avaliação preliminar da Senacon, poderia aumentar o apelo para que o consumidor realizasse apostas imediatamente.
Já durante Uruguai e Cabo Verde, outra campanha teria associado diretamente a paixão nacional pelo futebol à prática das apostas esportivas.
O que está sendo analisado
A Secretaria Nacional do Consumidor avalia três possíveis irregularidades.
A primeira diz respeito à eventual publicidade abusiva, caso fique demonstrado que a campanha explorava aspectos emocionais ligados ao futebol para estimular apostas.
A segunda envolve possível oferta de serviços em desacordo com normas oficiais do setor.
A terceira analisa se houve falha na identificação da publicidade, uma vez que narradores e comentaristas participavam diretamente das campanhas, o que poderia dificultar ao espectador distinguir conteúdo editorial de conteúdo comercial.
Posição da CazéTV
Em nota, a CazéTV afirmou que sempre buscou manter uma comunicação espontânea e transparente com seu público e com as marcas parceiras. Segundo a empresa, todas as campanhas seguem a legislação brasileira, respeitam as diretrizes do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária e envolvem apenas operadoras devidamente autorizadas pelo Ministério da Fazenda.
O canal também ressaltou que continuará defendendo um modelo capaz de viabilizar transmissões gratuitas de grandes eventos esportivos, mas afirmou estar disposto a aperfeiçoar seus processos diante das discussões sobre publicidade de apostas.
A investigação segue em andamento e, ao término da averiguação preliminar, a Senacon decidirá se há elementos suficientes para instaurar ou não um processo administrativo sancionador.
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