Ex-presidente alvinegro perdeu vínculo com o clube após votação histórica no Conselho Deliberativo; torcedores celebraram decisão nos arredores do Parque São Jorge.

Redação Publicado em 26/05/2026, às 10h25
O ex-presidente do Sport Club Corinthians Paulista, Andrés Sanchez, foi expulso do quadro associativo após investigações revelarem o uso indevido do cartão corporativo para despesas pessoais, com 112 votos a favor da expulsão em uma votação marcada por forte mobilização de torcedores.
O Comitê de Ética do clube apurou que os gastos pessoais de Sanchez ultrapassaram R$ 480 mil, enquanto ele alegou confusão entre cartões, tendo devolvido parte dos valores.
Além da expulsão, Sanchez enfrenta investigações no Ministério Público de São Paulo por suspeitas de lavagem de dinheiro e crimes tributários, e sua defesa tentou sem sucesso suspender a votação que resultou em sua expulsão.
O Sport Club Corinthians Paulista viveu uma de suas noites políticas mais turbulentas dos últimos anos. O Conselho Deliberativo do clube decidiu expulsar o ex-presidente Andrés Sanchez do quadro associativo após investigações internas apontarem o uso do cartão corporativo da instituição para despesas pessoais.
A decisão foi aprovada por ampla maioria: 112 votos favoráveis à expulsão, 49 contrários e seis abstenções. O julgamento ocorreu no Parque São Jorge, sede social do clube, sob forte esquema de segurança e intensa mobilização de torcedores.
Do lado de fora, o clima foi de comemoração. Antes mesmo do fim oficial da votação, rojões, gritos e cânticos tomaram conta da Rua São Jorge. Faixas com frases como “Com Sanchez, sem chances” e “A história vai lembrar quem protegeu o Corinthians” foram exibidas por integrantes de torcidas organizadas.
O processo disciplinar teve origem em apurações do Comitê de Ética do clube, que identificou gastos pessoais atribuídos a Andrés no cartão corporativo do Corinthians. Os valores ultrapassariam R$ 480 mil, já corrigidos monetariamente. O ex-dirigente alegou em diferentes ocasiões que parte das despesas teria ocorrido por “confusão” entre o cartão pessoal e o institucional. Ele também chegou a devolver parte dos recursos.
Impedido judicialmente de frequentar as dependências do clube, Andrés não compareceu presencialmente à reunião e foi representado por advogados. A defesa tentou suspender a votação por meio de liminar, mas o pedido foi rejeitado.
A sessão ainda registrou bate-bocas e tensão entre dirigentes. O vice-presidente do clube, Armando Mendonça, afirmou ter sido impedido de acompanhar a votação pelo presidente do Conselho Deliberativo, Leonardo Pantaleão. Já o ex-presidente Mário Gobbi tentou substituir a punição de expulsão por suspensão, mas a proposta acabou rejeitada pelos conselheiros.
Além da crise interna, Andrés Sanchez também enfrenta investigações no Ministério Público de São Paulo. Em 2025, ele e o ex-diretor financeiro Roberto Gavioli foram denunciados por suspeitas de lavagem de dinheiro e crimes tributários após o vazamento de documentos envolvendo despesas pessoais no clube. A Justiça chegou a rejeitar a denúncia inicialmente, mas o Ministério Público recorreu da decisão.
A expulsão marca mais um capítulo turbulento na história política do Corinthians e relembra episódios anteriores envolvendo ex-dirigentes do clube, como o caso de Alberto Dualib, que deixou o quadro associativo durante o escândalo da MSI, em 2008.
Até a última atualização, Andrés Sanchez não havia se pronunciado oficialmente sobre a expulsão.

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