Relatório da PF liga bispo a tráfico internacional de drogas e investigações financeiras controversas

por Marina Milani
Publicado em 29/03/2025, às 12h09
Um recente relatório da Polícia Federal (PF) vincula o bispo Bruno Leonardo Santos Cerqueira, líder da Igreja Batista Avivamento Mundial e conhecido por sua influência nas redes sociais, a uma investigação sobre tráfico internacional de drogas. O bispo, que se destaca no YouTube com mais de 50 milhões de inscritos, tem gerado controvérsia não apenas por sua popularidade, mas também pelas implicações de suas finanças.
Com vídeos que frequentemente atingem milhões de visualizações, Bruno Leonardo ocupa a terceira posição em termos de inscritos na plataforma, perdendo apenas para o canal KondZilla e o youtuber Luccas Neto. Em sua mais recente publicação, que inclui uma oração do dia, o bispo alcançou quase 3 milhões de visualizações em menos de dez horas.
No Instagram, sua base de seguidores é igualmente impressionante, com cerca de 9,8 milhões de pessoas acompanhando suas postagens. Esse número contrasta fortemente com o perfil oficial da igreja, que conta com pouco mais de 550 mil seguidores.
Além do engajamento online, Bruno Leonardo tem promovido eventos presenciais em diversas cidades brasileiras, onde realiza doações significativas. Recentemente, durante um evento em Minas Gerais no final de 2024, ele anunciou uma doação de R$ 2 milhões a um hospital, valor que afirmou ser oriundo dos dízimos de seus fiéis. Em outro evento em São Luís, ele também declarou uma doação de R$ 500 mil a um hospital especializado em tratamento oncológico.
Entretanto, a notoriedade do bispo foi ofuscada por questões legais quando a PF e o Ministério Público Federal (MPF) mencionaram transações financeiras entre sua igreja e uma empresa sob investigação. Os documentos da operação Mafiusi apontam ligações suspeitas entre a igreja e a Starway Locação de Veículos, que teria recebido R$ 2,2 milhões em transferências ao longo de oito meses entre 2021 e 2022. A investigação revelou que essas transações carecem de notas fiscais que justifiquem os valores envolvidos.
Ainda que o nome do bispo tenha sido citado nas investigações, ele não é formalmente acusado. Sua defesa alegou inicialmente que as transferências estão relacionadas à compra legítima de veículos e que as notas fiscais existem. Contudo, após contato com os advogados do bispo, não houve confirmação oficial dessa informação.
Bruno Leonardo defendeu-se publicamente em um vídeo onde argumentou sobre a legalidade das compras realizadas pela igreja e comparou sua situação com uma doação anterior feita ao Rio Grande do Sul. Ele questionou se poderia ser responsabilizado por transações realizadas com empresas que posteriormente poderiam estar envolvidas em atividades ilícitas.
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