Diário de São Paulo
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Após criar boneco 'Faria Limer' para ironizar seu antigo estilo de vida, ex-trader lança brinquedo que satiriza 'pai ausente'

Cerca de 300 exemplares do boneco 'Faria Limer', que representa quem trabalha na Avenida Brigadeiro Faria Lima, um dos polos financeiros de SP, foram vendidos

Após criar boneco 'Faria Limer' para ironizar seu antigo estilo de vida, ex-trader lança brinquedo que satiriza 'pai ausente' - Imagem: Divulgação/ Corby Toys
Após criar boneco 'Faria Limer' para ironizar seu antigo estilo de vida, ex-trader lança brinquedo que satiriza 'pai ausente' - Imagem: Divulgação/ Corby Toys

Publicado em 29/07/2022, às 07h25 G1


"Não brinca, não lembra de aniversário, é irresponsável e imaturo emocionalmente", é assim que Luís Aizcorbe, de 37 anos, um ex-trader que começou a produzir brinquedos por conta própria, descreve e ironiza uma das suas criações, o boneco "pai ausente''.

Boneco faria limer

"Eu criei para ironizar situações da minha vida, eu não tive um pai ausente, mas pessoas que passaram pela minha vida tiveram e essa é minha forma de criticar a situação. Acabo fazendo brinquedo de tudo que eu gosto, de artistas, bandas. Pode dizer que é por meme, mas tudo tem um lado meio crítico para provocar e causar reflexão", afirma Luís.

O "pai ausente" foi inspirado no pai do filho de uma ex-namorada de Luís e, é basicamente uma embalagem vazia.

O brinquedo começará a ser vendido nas próximas semanas a partir de R$ 30. Ele conta que nem cobraria para vender esse tipo de produto, mas precisa arcar com os custos de produção.

O empresário recentemente lançou o boneco "Faria Limer", que ironiza o estilo de vida de quem trabalha na Avenida Brigadeiro Faria Lima, um dos polos financeiros de São Paulo. Cerca de 300 exemplares do boneco "Faria Limer", que vem com a reprodução de um patinete elétrico e um copo de café Stanley, foram vendidos.

O boneco é vendido atualmente por R$ 97,59.

Luís conta que trabalhou como trader na região por muito tempo e sempre se questionou sobre o que estava fazendo e sobre a própria figura do jovem investidor.

"Trabalhei no mundo corporativo por muito tempo e sempre via muito dessas figuras por aí, super caricatos, um mundo que eu já tinha feito parte. Por isso lançamos o Faria Limer, para ironizar esses personagens, ironizar um momento da minha própria vida", afirma.

Aizcorbe começou a produzir brinquedos por conta própria há cerca de 2 anos porque perdeu o emprego no início da pandemia e precisava ganhar dinheiro, mas não queria voltar a trabalhar com algo que ele não gostasse de fazer.

"Eu sou formado em administração de empresas, só fiz essa faculdade porque é uma área que tem mais oportunidades de trabalho. Não sou de família rica, tive que me virar. Eu sempre gostei muito de brinquedo colecionável, na pandemia, assim com outras pessoas, acabei perdendo o emprego. Eu estava fazendo quimioterapia e precisa fazer dinheiro de alguma forma, ai comecei a estudar sobre como fazer bonecos, uma coisa que eu já gostava desde moleque", continua.

Com a ajuda de dois amigos, ele fundou empresa Corby Toys, que inicialmente nasceu com a ideia de vender brinquedos e bonecos colecionáveis, mas trabalha com um pouco de tudo, inclusive com a venda de cafés temáticos.

Luís produz todos os brinquedos no próprio quarto, mas com o aumento de vendas, pretende alugar um galpão em Guarulhos, na Grande São Paulo, para contratar mais pessoas.

Nos próximos meses ele pretende lançar o boneco "Santa Ceciler" sobre os moradores do bairro da Santa Cecília, na região central de São Paulo, e o "fantasma do comunismo". Além de alguns brinquedos em homenagem a figuras da música brasileira, como Raul Seixas.

"O meu sonho é fazer da Rita Lee, mas precisa conseguir a licenciatura de imagem, também quero lançar um do Caetano, Gil. Todas essas marcas de action figure famosas são gringas, ninguém está olhando para o nosso mercado, a nossa música, por isso eu quero fazer isso", afirma.

Na loja é possível encontrar quebra-cabeças da Pabllo Vittar, do Angra e da banda Sepultura. "Eu sou muito fã da banda Angra e acabo fazendo brinquedos de tudo que eu gosto, que acho divertido. Todos os licenciamentos de artistas que consegui foi batendo em porta de show", continuou.

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