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Ambiente Escolar

Proibição de celulares impacta positivamente a rotina escolar, revela pesquisa

Dados indicam redução de conflitos e episódios de bullying nas salas de aula

Impacto segue sendo positivo na proibição de celulares em sala de aula - Imagem: Reprodução/Redes Sociais
Impacto segue sendo positivo na proibição de celulares em sala de aula - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Gabriela Nogueira Publicado em 24/09/2025, às 18h38


Uma recente pesquisa conduzida pela Frente Parlamentar Mista da Educação, em colaboração com a iniciativa Equidade.info do Lemann Center da Stanford Graduate School of Education, trouxe à luz dados significativos sobre a atenção dos estudantes brasileiros nas salas de aula após a restrição do uso de celulares. Os resultados indicam que 83% dos alunos relataram uma maior concentração durante as aulas desde a implementação dessa proibição.

Os dados são ainda mais positivos entre os alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental I, onde 88% dos entrevistados afirmaram ter melhorado sua atenção. No Ensino Médio, esse número cai para 70%, mas ainda assim demonstra um impacto favorável na experiência educacional.

Além disso, o estudo também revelou que 77% dos gestores e 65% dos professores notaram uma redução nos casos de bullying virtual dentro das instituições de ensino. Contudo, apenas 41% dos alunos corroboraram essa percepção, sugerindo que algumas situações de conflito podem não estar sendo devidamente reportadas pelos estudantes ou reconhecidas por educadores e administradores.

A pesquisa apontou um aumento no tédio entre os alunos, com 44% relatando sentir-se mais entediados durante os intervalos e recreios. Essa sensação é particularmente elevada entre os estudantes do Ensino Fundamental I (47%) e os que estudam no período da manhã (46%). Além disso, 49% dos professores mencionaram um crescimento da ansiedade entre os alunos devido à ausência do celular.

Regiões como o Nordeste se destacam positivamente, apresentando 87% de melhorias no comportamento dos estudantes. Por outro lado, Centro-Oeste e Sudeste mostraram as menores taxas de progresso no ambiente escolar, com 82%, indicando que a eficácia das novas políticas pode variar conforme fatores regionais.

O deputado Rafael Brito, presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação, comentou sobre a importância dessa medida: "Proteger nossos estudantes do uso do celular em sala de aula é garantir um ambiente mais saudável e focado no aprendizado. Os resultados obtidos confirmam que a educação deve ser uma prioridade, com políticas que assegurem o presente e preparem o futuro dos jovens".

Claudia Costin, presidente do Equidade.info, enfatizou os avanços observados na atenção dos alunos, mas alertou para a persistência de problemas como tédio, ansiedade e bullying. "Embora tenha havido uma queda significativa no bullying virtual segundo a perspectiva dos gestores, é fundamental ouvir os alunos que ainda vivenciam essa situação. Portanto, embora a restrição tenha sido benéfica, ela não é suficiente sozinha; as escolas devem desenvolver alternativas de interação e estratégias adequadas para cada faixa etária", afirmou.

Guilherme Lichand, coordenador do Equidade.info e professor na Stanford Graduate School of Education responsável pelo estudo, reforçou a necessidade de abordagens diferenciadas por idade e rede de ensino. Ele destacou que práticas pedagógicas eficazes são essenciais para manter os alunos engajados e promover seu bem-estar sem depender do uso de celulares em sala de aula.

"Os resultados demonstram que a regulação do uso de celulares gerou benefícios importantes para o aprendizado. Mais do que simplesmente restringir o uso do telefone celular, essa lei proporciona uma oportunidade para reavaliarmos como as escolas se conectam com seus alunos. O próximo passo é assegurar que a aplicação dessa lei seja efetiva em todos os níveis educacionais, respeitando as particularidades de cada contexto escolar. Dessa forma, poderemos transformar essa medida em uma política duradoura que promova tanto o foco acadêmico quanto o bem-estar dos estudantes", concluiu Lichand.

A legislação que proíbe o uso de celulares nas escolas foi sancionada em janeiro de 2025 após aprovação pelo Congresso Nacional.


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