Cenário pós-pandemia agrava dificuldades financeiras dos beneficiados

Marina Roveda Publicado em 17/07/2023, às 07h51
Apesar do avanço das ações afirmativas, como a Lei de Cotas, que proporcionaram o ingresso de um número significativo de estudantes afrodescendentes no ensino superior, a evasão desses alunos ainda é uma preocupação alarmante que exige a formulação de novas políticas públicas para garantir sua permanência nas universidades. Em uma Roda de Conversa intitulada "Bem Viver das Juventudes Negras: Trajetórias Coletivas nas Universidades", realizada em um evento da Oxfam Brasil no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, foram discutidas questões cruciais que afetam estudantes negros tanto na graduação quanto na pós-graduação.
Um dos principais obstáculos enfrentados por esses estudantes é a despesa com transporte, especialmente para aqueles que precisam enfrentar longos deslocamentos entre suas moradias e as instituições universitárias. Além disso, muitas mães e pais estudantes são impactados pela falta de creches próximas aos campi universitários, o que dificulta sua participação acadêmica enquanto precisam cuidar de seus filhos durante as aulas.
Outro fator que tem levado à evasão é o cenário pós-pandemia da COVID-19, que trouxe uma série de precarizações e dificuldades financeiras para esses alunos. Muitos universitários beneficiados pelas ações afirmativas têm sido forçados a abandonar os estudos para trabalhar e garantir o sustento de suas famílias.
A busca ativa de estudantes e a visão integrada de políticas públicas emergiram como possíveis soluções para enfrentar esse desafio. Implementar creches próximas ou dentro das universidades é uma estratégia para apoiar estudantes que também são mães e pais. Além disso, é fundamental oferecer políticas de acolhimento de saúde mental, uma vez que muitos estudantes negros têm enfrentado problemas como depressão, ansiedade e suicídio.
Apesar das adversidades, é importante destacar que o número de mulheres negras nas universidades públicas tem sido expressivo e têm se mostrado mais resilientes na permanência acadêmica, inclusive na pós-graduação. A presença de mulheres negras em posições de liderança e engajadas em movimentos sociais contribui significativamente para fomentar essa permanência e superar os desafios impostos pela evasão.
É inegável que as ações afirmativas têm promovido avanços significativos na inclusão de estudantes negros nas universidades, e mulheres como Renata Souza, Jane Santos e Estefane Silva são exemplos inspiradores dessa conquista. No entanto, é imprescindível que sejam criadas mais políticas inclusivas e estruturais para garantir a permanência desses alunos, valorizando suas trajetórias coletivas nas universidades brasileiras.
A Roda de Conversa organizada pela Oxfam Brasil, em parceria com o Instituto Afro-Latinas através do Festival Latinidades, revela a importância de ampliar o diálogo sobre a evasão de estudantes negros e fortalecer a luta por uma educação mais igualitária e acessível a todos.
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