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Comércio em alta

Queda do dólar impulsiona vendas de importados e leva comércio brasileiro ao maior nível do ano

Setor cresceu 0,5% em março, puxado principalmente por produtos de informática e combustíveis, aponta IBGE

Apesar da queda em supermercados e móveis, o comércio varejista mostra sinais de recuperação e crescimento contínuo desde o início do ano - Imagem: Reprodução/Valter Campanato / Agência Brasil
Apesar da queda em supermercados e móveis, o comércio varejista mostra sinais de recuperação e crescimento contínuo desde o início do ano - Imagem: Reprodução/Valter Campanato / Agência Brasil

Letícia Sales Publicado em 13/05/2026, às 12h14


O comércio brasileiro registrou crescimento de 0,5% em março e alcançou o maior patamar do ano, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O avanço foi impulsionado principalmente pela queda do dólar, que favoreceu a venda de produtos importados e ajudou empresas a reforçarem estoques com custos menores.

Esse foi o terceiro mês consecutivo de alta do setor. Na comparação com março do ano passado, o comércio avançou 4%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o crescimento foi de 1,8%.

Os números fazem parte da Pesquisa Mensal de Comércio e mostram uma sequência positiva desde o fim do ano passado. Após oscilar negativamente em dezembro, o setor voltou a crescer em janeiro, fevereiro e março.

Entre as atividades que mais contribuíram para o resultado estão os segmentos de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que cresceram 5,7% no período. Combustíveis e lubrificantes também tiveram forte desempenho, com alta de 2,9%.

Segundo o analista da pesquisa, Cristiano Santos, a valorização do real diante do dólar ajudou a reduzir os custos de produtos importados, principalmente no setor de tecnologia.

“As empresas aproveitam para compor estoque com a redução do dólar e, depois, em momentos oportunos, fazem promoções. O mês de março foi importante por causa dessas promoções. Equipamentos de informática têm essa característica de ligação com o dólar”, explicou.

Em março, a cotação média da moeda norte-americana ficou em R$ 5,23, abaixo dos R$ 5,75 registrados no mesmo período do ano anterior.

Outros segmentos também apresentaram crescimento no mês, como artigos de uso pessoal e doméstico (2,9%), livros e papelaria (0,7%) e produtos farmacêuticos e de perfumaria (0,1%).

Por outro lado, supermercados, hipermercados, bebidas e fumo registraram queda de 1,4%, influenciados pela inflação dos alimentos. O setor representa mais da metade do comércio varejista nacional.

Cristiano Santos destacou, no entanto, que o resultado negativo não indica uma tendência de queda prolongada.

“A atividade cresceu 0,3% em janeiro e 1,4% em fevereiro”, ponderou.

O segmento de móveis e eletrodomésticos também apresentou retração, com recuo de 0,9%, enquanto tecidos, vestuário e calçados ficaram estáveis.

No varejo ampliado — que inclui veículos, materiais de construção e atacado alimentício — o crescimento foi de 0,3% na passagem de fevereiro para março.


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