Redução de preços impulsiona consumo no Brasil

Marina Roveda Publicado em 04/09/2023, às 07h58
A carne bovina está voltando a ser mais consumida pelos brasileiros em 2023, graças à maior redução de preço desde 2018. Segundo a projeção da Conab(Companhia Nacional de Abastecimento), a disponibilidade per capita dessa proteína deve chegar a 30,4 quilos por habitante neste ano, após cinco anos de queda. Isso representa um aumento de 8,1% em relação a 2022, retornando ao nível pré-pandemia.
No período de janeiro a julho de 2023, o preço da carne bovina já caiu 9,36%, acumulando a maior retração dos últimos cinco anos, de acordo com o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Esse índice avalia o custo de vida das famílias na cidade de São Paulo, mas reflete a tendência da inflação em todo o país. No IPCA(Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de julho, o preço da carne acumula uma queda de 8,54% em 12 meses e de 7,90% no ano.
Os cortes que mais tiveram redução de preço no acumulado deste ano foram a alcatra (-11,50%), o filé-mignon (-10,17%), o contrafilé (-10,17%), o acém (8,49%) e a picanha (-7,88%).
O presidente da Conab, Edegar Pretto, atribui essa tendência de queda nos preços ao aumento na produção de carne no país. Ele afirma que grande parte da deflação registrada vem da carne, que está mais acessível ao consumidor.
Quando somamos os três principais tipos de proteína animal consumidos no Brasil – carne bovina, suína e de frango –, o consumo per capita atingirá 100,2 quilos por habitante ao ano, o segundo maior índice já registrado, ficando atrás apenas do ano de 2013.
A produção desses três tipos de carne no Brasil está estimada em aproximadamente 29,6 milhões de toneladas. Se essa projeção se confirmar, será o maior nível da série histórica, considerando aves, suínos e bovinos.
Gabriel Rabello, gerente de fibras e alimentos básicos da Conab, observa que as vendas externas têm crescido, ao mesmo tempo em que há uma redução na dependência do mercado chinês, o que demonstra que o Brasil tem conquistado novos mercados.
Apesar da queda nos preços, os consumidores ainda enfrentam valores elevados. O quilo do acém custava em média R$ 31,02 em julho, o do músculo R$ 30,89, o da capa de filé R$ 33,89, o do coxão mole R$ 41,05, o do filé-mignon R$ 74,25 e o da picanha R$ 68,48, de acordo com o Instituto de Economia Agrícola do governo de São Paulo.
Alguns consumidores, como a recepcionista Franciele dos Santos, em São Paulo, relatam que embora os preços tenham melhorado nos supermercados e açougues, ainda estão altos. Ela menciona que nos últimos anos trocou a carne por outras proteínas mais baratas devido ao aumento dos preços e da inflação."Nos últimos anos, com o aumento dos preços e da inflação, troquei a carne por outras proteínas mais baratas", afirmou.
Entretanto, nos últimos meses, tem comprado carne novamente. "A gente está conseguindo comprar de novo", acrescenta.
Essa redução nos preços da carne bovina é uma boa notícia para os consumidores, tornando o produto mais acessível. No entanto, os preços ainda podem variar dependendo da região e das condições econômicas locais.
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